Agosto 31st 2007

Um café para um ET

Varginha é considerada cidade-polo para a região do Café do Sul de Minas, contando aproximadamente com 200.000 habitantes. É um dos municípios com uma das maiores produções de café em nosso país.

Tradicionais famílias de cafeicultores, bem como antigas fazendas mostram a história do café nessa região.

As principais casas exportadoras de Cafés do Brasil possuem filial e, em muitos casos, armazéns para o preparo de café para a exportação. Para facilitar, há um Porto Seco, que é como se denomina um posto aduaneiro localizado no interior, possibilitando a preparação de toda a documentação de exportação. Assim, basta o container chegar num porto para ser embarcado em navio.

Varginha navedoetA alguns anos atrás, Varginha ficou famosíssima por um caso cercado de grande mistério ainda hoje: o aparecimento de um ET !

Algumas pessoas afirmaram ter visto um ser do espaço, outros, sua espaçonave, e etecetera e tal. O exército apareceu, negando tudo, de forma que o episódio lembrou o célebre caso do ET de Roswell.

Muito sinistro, não!?

Pois bem, depois disso, a cidade passou a capitalizar sobre o caso, conhecido como o “ET de Varginha”, com estórias como a de que ” o ET viajou o universo para beber um bom café…”.

Monumentos não faltam, como a nave em alumínio que acoberta a caixa d’água da cidade.

P1040286Voltando ao café, numa das principais praças da cidade, fica o COMCAFÉ, que é um misto de cafeteria e restaurante na casa onde funcionava anteriormente o Centro de Comércio de Café de Varginha.

Os Centros de Comércio de Café, muito conhecidos pela abreviação ”CCC”, funcionam em locais de onde os cafés partem para os destinos internacionais, sendo o órgão responsável em registrar as exportações do nosso venerado grão. O CCC de Varginha é o único que funciona no interior, justamente pelo fato de que nessa cidade existe um “Porto Seco”. Em função de acordos, os CCCs emitem o mais antigo e um dos mais eficientes documentos de rastreabilidade do mercado: o Certificado da OIC - Organização Internacional do Café. Num outro momento comentarei sobre esse certificado.

P1040288O COMCAFÉ é um local muito agradável, decorado com muito bom gosto e um toque pessoal do Cleber Marques de Paiva, atual presidente do CCC de Varginha, tendo salas reservadas e um belo balcão de café, como pode ser visto nesta foto. No almoço, executivos das casas exportadoras e cafeicultores tomam conta do local, entendendo que ali funciona, antes de tudo, um novo segmento do mundo do café.

Sendo espaço do CCC local, é uma interessante e estimulante idéia para difundir em pleno interior mineiro o hábito de se consumir excelentes espressos e suas variantes. Normalmente, os recônditos interioranos têm um atraso em abrigar novidades, mas em Varginha, talvez devido à influência do ET, chegaram rapidinho…

Agosto 26th 2007

Coca-Cola & Café

A revitalização do mercado norte-americano de café, decorrente da fundação da SCAA - Specialty Coffee Association of America e a institucionalização do novo segmento de Specialty Coffee  ou Cafés Especiais, na década de 80, aconteceu depois que sua indústria sentiu os efeitos devastadores da concorrência imposta pelas novas bebidas, como refrigerantes, águas e sport drinks.

A concorrência é a forma mais eficiente de estimular inovações sempre.

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Outro detalhe importante: para que cada produto se mantenha desejável e, portanto, vendável, também é muito importante que sua imagem continue forte, criando interesse e adesão de novos consumidores.

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É o que a Coca-Cola Co. está fazendo agora.

No ano passado foi lançada a Coca-Cola Blak, que é a versão do refrigerante com sabor café. Depois da Cherry Coke, esta foi a grande aposta da companhia que tem seu quartel-general em Atlanta, Georgia, USA.

E, estão prometendo para o próximo ano um novo produto a base de café, que deverá ser semelhante ao que já possui a muitos anos no mercado japonês, que é o café em latas de 170 ml ”ready to drink”.

Especula-se que o nome para o novo produto pode ser um destes três: Truvia, Tevai ou Kahe.

É…ninguém pode ficar eternamente deitado em berço esplêndido… 

Agosto 17th 2007

Mais sobre Menos Cafeína

Os últimos dias foram pródigos em notícias sobre a cafeína, o “grande motor” do nosso Santo Café.

A Fazenda Daterra, de Patrocínio, Cerrado Mineiro, do Grupo D. Paschoal, fez o lançamento no Brasil do café Opus 1 Exotic, que possui teor de cafeína da ordem de 1%.

Esse café, que segundo Carlos Borges, Degustador da Fazenda e Juíz Certificado SCAA, apresenta notas florais delicadas, foi obtido por diversos cruzamentos genéticos, sendo, portanto, uma planta de origem natural.

Você pode saber mais sobre esse lançamento e adquiri-lo através do www.daterracoffee.com.br .

 cafeinaDo outro lado do mundo, a empresa japonesa UCC - Ueshima Coffee Co., que possui base em Kobe, divulgou o lançamento do café que recebeu o nome de GCA, que possui teor de cafeína da ordem de 0,3%.

Incrível, não?

Isso correspondente a cerca de 25% do teor médio de cafeína da espécie arabica, que normalmente varia entre 1,05% a 1,20%, dependendo da combinação de variedade e condições geográficas.

No entanto, comercialmente esses grãos estarão disponíveis somente em 2010, quando será destinado principalmente para gestantes e idosos.

Na verdade, a busca por cafés com baixo teor de cafeína vem ocorrendo a muito tempo, sendo que industrialmente foram desenvolvidos métodos de extração química desse poderoso estimulante.

Existem, basicamente, dois processos industriais mais empregados: um que emprega solventes orgânicos, como por exemplo o n-hexano, isto é, produtos derivados do petróleo, e outro que utiliza a água.

Lembre-se que já comentei que ao preparar um café, você também está fazendo a extração da cafeína!

Nesse caso, a extração é diretamente proporcional ao tempo de contato da água com o pó, onde as moléculas de cafeína estão alojadas. Quanto mais tempo de contato água-café, mais cafeína é extraída. Mais cafeína extraída, mais amargor do tipo “jiló” terá a bebida.

Dismas_espresso1E no início da semana saiu uma notícia inusitada: uma garota teve overdose de cafeína!

Jasmine Willins, de 17 anos e que atendia no The Sandwich Bar, em Stanley, Inglaterra, consumiu 7 doble shots (doses duplas) de espresso.

Depois disso, começou a tremer, palpitações do coração e reações de descontrole emocional.

Nosso corpo precisa em torno de 4 horas para metabolizar a cafeína. Por isso, quando tomamos muito café, ficamos um certo tempo sem vontade de fazê-lo novamente, pois estudos indicam que há uma correlação entre a cafeína ainda não metabolizada e a vontade de consumir mais café.

Naturalmente, cada pessoa tem uma reação diferente e moderação nunca é demais…

Agosto 12th 2007

Juarez do Valle: Uma Homenagem

A região do Cerrado Mineiro começou o convívio com a cafeicultura a partir do início da década de 1970, mais precisamente em 1972, segundo registros do extinto IBC - Instituto Brasileiro do Café, considerando-se o município de Patrocínio como referência.

Devido à característica geo-climática muito diferente das então tradicionais origens produtoras de Cafés do Brasil como a Alta Paulista, Norte do Paraná e Sul de Minas, os cafeicultores que se instalaram nos municípios do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e parte do Noroeste de Minas tiveram de vencer muitos desafios, principalmente os relativos à tecnologia agronômica.

O Cerrado era conhecido naquela época como região de terras de pouca fertilidade e, por isso, de baixo valor. 

A busca por tecnologias que fossem adequadas ao clima continental, que define praticamente duas estações no ano, e ao ainda desconhecido solo dos cerrados, fez com que os produtores se organizassem em associações, cuja representatividade institucional alavancou um promissor modelo de interação entre a pesquisa e a produção.

A primeira associação de cafeicultores do Cerrado foi criada em Araguari, vindo, a seguir, a de Patrocínio, de Monte Carmelo e Araxá.

Caf  doCerrado H2OJovens e ousados, os cafeicultores intuitivamente criaram um novo sistema de organização, onde um organismo passou a congregar as diversas associações que estavam surgindo na região. Esse organismo foi fundado em 1993 e é conhecido como CACCER - Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado, liderarando as ações de marketing institucional e político.

Num período de grande efervecência criativa, nomes como Antônio Reinaldo Caetano, Francisco Sérgio de Assis, Aguinaldo José de Lima e Juarez do Valle se destacaram como verdadeiros motores para o crescimento institucional do Cerrado.

Certamente uma das mais privilegiadas e criativas cabeças era a do Juarez do Valle, então Presidente da Associação de Araxá. 

Talvez por sua impetuosidade, Juarez tenha sido mal compreendido por diversas vezes, mas sempre havia um toque criativo seu que o fazia reconciliar com todos.

O seu momento genial foi quando teve o repente para criar uma logomarca para a nova região, que está na foto acima.

Juarez comentava que essa logomarca, que hoje é vista nos principais destinos consumidores de café, ele “enxergou” quando estava amarrando os seus sapatos, sentado numa cadeira.

Seus pés estavam formando um ângulo entre si e ele visualizou os ramos estilizados de café com um grão cereja no centro. Rapidamente pegou uma caneta e num pedaço de papel começou a fazer os primeiros esboços, que logo se tornaram numa das logomarcas mais representativas do universo dos Cafés do Brasil. Coisa genial.

Nos últimos tempos, Juarez estava envolvido na promissora área de biodiesel e considerava-se muito feliz.

Mas, no dia 31 de julho ele nos deixou, de forma repentina, vítima de um ataque fulminante. 

A cafeicultura brasileira e, em particular, da região do Cerrado Mineiro tem uma grande perda.

Sempre sonhador, Juarez tinha grandes planos e projetos, que provavelmente estará realizando nos campos celestiais…

Nesta foto, uma homenagem ao Juarez:

JuarezValle

Agosto 11th 2007

Cafés Especiais: Método SCAA de Avaliação

O que é um Café Especial?

Beber café tornou-se um hábito “fashion”, que está na moda, inclusive no Brasil, depois de muitos anos sem qualquer reinvenção.

Após um período em que havia um nítido declínio de seu consumo, com o surgimento do chamado segmento dos Cafés Especiais o café ganhou um destaque visto apenas no século XVIII, quando as primeiras casas européias abrigavam grandes pensadores que degustavam o café para estimular o seu potencial criador.

SCAA new1O termo “café especial” surgiu em meados da década de 80, com a fundação da SCAA - Specialty Coffee Association of America (Associação Americana de Café Especiais) por um grupo de pessoas ligada à indústria do café dos Estados Unidos preocupados com a perda de consumidores.

Foi a Sra. Erna Knudsen, proprietária de uma importadora de cafés finos de San Francisco, CA, que cunhou o precioso termo Specialty Coffee, que se tornou referência em todo o mundo. Em sua visão, “especial” envolve o conceito de algo de grande qualidade, raro e muito específico. Abrange, também, dentro da ótica do comércio de café, um produto que é fruto de um relacionamento particular, onde produtores e torrefadores se tornam grandes aliados.

Por outro lado, dentro da visão industrial, um Café Especial é um produto que apresenta um alto nível de qualidade, sendo, portanto, resultado de rigoroso controle de qualidade.

Desde os anos 90, quando foram criados os Comitês de trabalho, cujo objetivo é o de dinamizar as atividades da SCAA, um deles ganhou particular importância devido à sua missão inicial de criar normas para definir e classificar um café como especial: estou me referindo ao TSC - Technical Standards Committee (Comitê de Normas Técnicas).

SCAA CuppingForm vertical Através deste Comitê, a SCAA estabeleceu completa e consistente codificação para a definição e avaliação de café, introduzindo a chamada Avaliação Objetiva, isto é, quantificando a qualidade do café através de uma escala decimal que vai de zero a 100 pontos. Até para o consumidor é muito mais fácil identificar a qualidade de um café através de uma pontuação do que por uma expressão técnica como “Bebida Mole”.

Como pode ser visto nesta Planilha de Avaliação Sensorial, 10 diferentes atributos do café são verificados, sendo que individualmente variam de zero a dez pontos.

Com base em conceitos científicos, todos os elementos empregados no processo de avaliação são perfeitamente definidos como o Ponto de Torração, a Água empregada e as Temperaturas recomendadas para a degustação. Isso se explica porque o principal objetivo é o de que um mesmo lote de café, independentemente onde seja avaliado, desde que por um Juíz Certificado SCAA, profissional que domina as ferramentas estabelecidas na Metodologia, os resultados devem ser semelhantes.

Certamente, em breve você poderá pedir um espresso ou pacote de café que tenha ao menos 80 pontos SCAA, que é a pontuação de piso para um Café Especial.

Veja este vídeo, onde há uma breve introdução à Metodologia SCAA:

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