Outubro 30th 2007

Percorrendo o Caparaó…

A região da hoje denominada Matas de Minas, anteriormente Zona da Mata, é composta por um grande número de municípios, destacando-se na produção de cafés aqueles que estão nas encontas da Serra do Caparaó.

Para se ter uma idéia de como essa serra pode mostrar belas surpresas, basta lembrar que é ali que está o Pico da Bandeira, que foi durante muitos anos o ponto culminante do Brasil.

P1040472A Serra do Caparaó apresenta um arquitetura muito diferente da, por exemplo, Serra da Mantiqueira, pois observa-se o predomínio de grandes rochas e, devido à isso, formações inusitadas!

As altitudes em que as lavouras de café estão plantadas no Caparaó variam de 850 m a até 1.350 m. Outro aspecto importante é o fato de que a Mata Atlântica remanecente possui uma das maiores reservas da palmeira Jussara, que produz um palmito de excepcional sabor e textura, hoje com extração proibida.

No Alto Jequitibá e Alto Caparaó, por exemplo, pequenos produtores de café convivem equilibradamente com a exuberante vegetação nativa da Mata Atlântica, justamente onde as pequenas lavouras de café se integram perfeitamente à paisagem.

P1040476Do lado oposto, em Lajinha, verdadeiras obras de arte surgem ao longo da cadeia montanhosa, com impressionantes formações rochosas.

Parecem esculpidas, tal dramaticidade que as formas apresentam.

Os cafés, como não poderia deixar de ser, apresentam características de bebida muito interessantes, que pretendo abordar como resultado de uma prova de diferentes lotes de café.

São bebidas com boa intensidade de acidez cítrica, encorpadas e eventuais notas florais adocicadas que podem competir com algumas origens da América Central…

Observem, abaixo, esta impressionante formação rochosa:

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Outubro 28th 2007

Cidades-Polo de Café 1: Manhuaçu, MG

O café é plantado no Brasil numa ampla faixa de latitude, que sai dos 13° Sul, no Oeste da Bahia, até o Trópico de Capricórnio, em São Paulo e Paraná.

Importantes e tradicionais origens produtoras estão nessa faixa, sendo que cada qual tem uma cidade-polo, isto é, uma cidade que acaba concentrando o comércio de café de uma dada região.

As lavouras de café, como plantas perenes e (não se esqueçam!) frutíferas, recebem tratamentos praticamente durante todo o ano como adubações, aplicações de defensivos contra pragas e doenças, entre outros.

Para que todas essas operações aconteçam em tempo certo, a cafeicultura, digamos assim, acaba criando uma ampla teia de serviços e venda de produtos em cada região. Por exemplo, casas especializadas em venda de adubos e defensivos podem ser vistas nas principais cidades, bem como outras que vendem máquinas e equipamentos.

P1040347E como não poderia deixar de acontecer, se existe a venda de máquinas e equipamentos novos, oficinas para consertos e reparos de usados acabam surgindo também.

É por isso que uma cultura perene como o café acaba criando muita riqueza nas regiões onde se instala, pois diversas oportunidades de negócios são criadas.

Mecânicos especializados, técnicos em manutenção de diversas máquinas e serviços agronômicos também fazem parte desse movimentado universo.

Já na ponta do comércio de café, que como país produtor, o Brasil possui diversas cidades onde núcleos comerciais estão instalados.

O comércio de café cru, também chamado de “café verde” (green coffee em inglês), envolve uma série de empresas e serviços como armazéns, empresas que fazem a seleção e preparo do café para exportação, e as exportadoras propriamente ditas.

Nas chamadas cidades-polo de café normalmente são encontradas as principais casas exportadoras de café, muitas das quais são poderosas empresas globais que mantém escritórios e representações em todo o mundo.

Veja na foto a seguir uma vista de escritórios de exportadores em Manhuaçu, na região das Matas de Minas, em Minas Gerais:

P1040344Essas empresas são responsáveis pelo escoamento do café verde brasileiro para os principais países consumidores na Europa, América do Norte e Ásia.

Normalmente mantém uma equipe técnica que faz a avaliação dos lotes que estão sob compra, além do pessoal especializado em logística e comercialização. Estes são os responsáveis para que os pedidos de seus clientes sejam atendidos corretamente, seja quanto ao tipo e padronização do café, seja na quantidade, que é expressa sacas de café de 60 kg.

Uma das maiores empresas globais no comércio de café é a EISA, que faz parte do Grupo ECOM, presente em praticamente todos os países produtores de café.

Como não poderia deixar de ser, mantém escritórios nas principais cidades-polo de café do Brasil, como em Manhuaçu.

Aqui o gerente geral é o Carlos Alberto Barbeto, o Beto, que é um genuíno português de Angola!

P1040342Muito simpático e prestativo, Beto é figura muito conhecida nessa praça e nesta foto está ao lado do Sérgio D´Alessandro, que é produtor em Manhumirim e diretor da SCAMG -Specialty Coffee Association of Minas Gerais.

Ao lado de ambos está um belo trabalho da esposa do Beto, Noemi, que é artista plástica e, aproveitando todo o ambiente cafeeiro de Manhuaçu, cria obras de arte com materiais típicos da cafeicultura como grãos de café e sacaria de café, entre outros.

Para se ter uma idéia, por Manhuaçu passam anualmente algo como 3,5 a 4 milhões de sacas de café, concentrando boa parte da produção de café das Matas de Minas, que acabam seguindo para muitos destinos dos Cafés do Brasil no exterior.

 

Outubro 18th 2007

Mais sobre Caçadores de Café

Através deste link você poderá ler um interessante artigo publicado no NYT - New York Times sobre os intrépidos caçadores de café:

 

http://www.nytimes.com/2007/09/12/dining/12coff.html?_r=1&oref=slogin
Boa Leitura!
Outubro 16th 2007

Caçadores de Café - Hunting Coffees

Com a criação do mercado de cafés especiais, uma nova leva de profissionais começou a se formar, cuja missão é a de procurar cafés absolutamente diferentes ou exóticos: sãos os Caçadores de Café ou Coffee Hunters.

Cafés exóticos são aqueles cafés que apresentam um perfil de bebida que foge aos padrões usuais, sejam de uma determinada origem, seja dentro de um aspecto mais geral. Essa multiplicidade de aromas e sabores em cada lote de café depende basicamente dos seguintes fatores: a geografia, que entra com a altitude, relevo e solo, e a forma de produção, que além da tecnologia empregada, abrange a variedade plantada.

Assim, o primeiro passo é ir até onde o café é produzido…

Veja abaixo lavouras de café junto à Serra do Caparaó, MG:

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Mas, isso não é tudo…

A busca por cafés exóticos é muito complicada porque é necessário que, também, os lotes avaliados tenham sido preparados adequadamente, ou seja, quando passam por um processo de seleção que pode se constituir de até 3 diferentes etapas: a seleção por tamanho de grão (que confere uniformidade  quanto ao tamanho e forma), a seleção por densidade (que retira grãos mal formados e imaturos) e, finalmente, a seleção por cor (que retira grãos pretos, verdes e ardidos, o famoso trio “PVA”).

P1020562Daí, normalmente, seguem-se extenuantes rodadas de provas de café, que podem envolver até dezenas de amostras…

É a “hora do show”: o Caçador de Cafés tem de demonstrar o seu bom preparo, pronto para avaliar de forma criteriosa cada lote de café.

Esse é um momento muito instigante, pois gera grande expectativa entre os produtores, pois há sempre o desejo de que o seu café seja reconhecido pela sua alta qualidade e, quem sabe, se apresentar alguma nota de exoticidade.

A metodologia normalmente empregada por esses profissionais é a da SCAA- Specialty Coffee Association of America ou da ACE- Alliance for Coffee Excellence, esta a entidade responsável pelo concurso internacional Cup of Excellence em todo o mundo. Uma metodologia objetiva ajuda muito nessa hora, pois ao se quantificar a qualidade fica mais fácil de se identificar e entender porquê um café é superior ao outro.

P1020466E, finalmente, a alegria de ter encontrado um verdadeiro tesouro, como mostra feliz o Coffee Hunter Joel Pollock nesta foto.

Joel, que desde a época do colégio já tinha contato com o café, quando era um barista iniciante, passou por empresas como CBI, Portland Roasting e Stumptown Coffees, onde desenvolveu também sua arte de torrar o café e o gosto por descobrir diferentes cafés ao redor do mundo…

Hoje, Joel faz parte do time de Coffee Hunters da empresa BECCOR de Portland, OR.

Para esse pessoal não há tempo ruim, chuvoso, terrenos selvagens ou absoluta falta de conforto urbano.

O que vale é a aventura e a emoção de encontrar esses fantásticos tesouros que farão muitos consumidores se deliciarem e imaginarem locais tão exóticos enquanto bebem uma bela xícara de café.

Outubro 8th 2007

Kyle Glanville, The Intrepid Barista

O Lattè Art vem criando uma leva de grandes artesões do café, como é o caso do Kyle Glanville, um dos melhores baristas da nova geração.

Kyle, que saiu das fileiras do Victrola Coffee Roasters, de Seattle, e hoje faz parte do Intelligentsia Team em Los Angeles.

Veja agora o vídeo em que o Kyle mostra sua arte:

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