Abril 29th 2008

Nova Máquina para Preparar Coffee!

A indústria do café vem caminhando a passos largos, seja em tecnologia, seja na qualidade dos blends oferecidos, justamente para acompanhar a evolução da demanda, que vem se caracterizando pelo maior nível de exigência dos consumidores quanto à praticidade no preparo e, naturalmente, pela qualidade da bebida.

Só para lembrar: beber café é sempre uma experiência e, portanto, deve ser uma experiência legal!

Companheiro de Viagem Mike Tompkins me comentou que foi lançada recentemente nos Estados Unidos uma nova máquina para preparar café, de nome “ESIO” (lembra nome brasileiro, não?), mas que serve de trocadilho com a palavra “EASY”, que significa fácil.

A máquina tem um design no mínimo inusitado, lembrando um desses suportes refrigerados para água em garrafões tão comuns hoje nas casas e escritórios no Brasil.

Eu Almir ManePorém, a nota realmente inusitada é a presença testemunhal de um grande amigo, o Mané Alves, que é um português radicado nos Estados Unidos e que é o chairman do TSC - SCAA (Technical Standards Committee - Specialty Coffee Association of America), que é o Comitê de Normas Técnicas da Associação Americana de Cafés Especiais, do qual faço parte.

Nesta foto, da direita para a esquerda, tirada durante o exame para Juízes Certificados SCAA pela ABIC, está o Mané, um dos poucos titulares da SCAA na função de examinador, Almir Filho, Diretor da ABIC e do Café Toko, e eu, seu Coffee Traveler.

O vídeo é divertido, bem ao estilo “trash” dos comerciais de produtos norte-americanos, cheio de frases de efeito, com uma pessoa tendo “dificuldades” para preparar um café com as máquinas normais, e outra demonstrando alegria por ter um…ESIO!

Confira:

http://www.esiobev.com/index.htm

Abril 27th 2008

A Invasão Porteña no Brasil

Durante muito tempo, o pessoal do Hemisfério Norte pensava que a capital do Brasil era… Buenos Aires!

Afinal, a Argentina, por uma série de razões históricas, teve um desenvolvimento sócio-cultural bastante avançado em relação ao Brasil, sendo que sua capital, essa sim, Buenos Aires, foi considerada a metrópole cultural do Hemisfério Sul.

Com o seu ar cosmopolita, impulsionado por uma renda “per capita” com distância olímpica em relação a do Brasil na época, além de uma fervilhante atividade cultural, esta cidade, que ainda hoje fascina muita gente, incorporava os modismos europeus. E, obviamente, os Cafés ao estilo francês com confortáveis poltronas, atendimento esmerado e uma generosa oferta de pratos rápidos e bebidas, ganharam sua devida importância na Capital Porteña.

Para boa parte dos brasileiros com mais de 35 anos, a primeira grande viagem ao exterior tinha como destino a Argentina e, certamente, o pedido “mais pedido” era para que se trouxesse o indefectível alfajor, de preferência o Havanna

Há pouco mais de 3 anos a Casa Havanna iniciou uma grande operação no Brasil com a instalação de quiosques para a venda do seu famosíssimo alfajor, cujo coberto com chocolate e o recheio de doce de leite é o meu favorito, além de sua cafeteria, o Café Havanna. Em São Paulo, à Rua Bela Cintra, Jardins, fica esta charmosa casa.

Para saber mais, você pode consultar o link www.havanna.com.ar .

O Companheiro de Viagem Luiz Barbosa, de São Paulo, a quem agradeço pela dica, comentou da abertura de uma casa do Café Martínez, que tem base em Buenos Aires.

Segundo Luiz, esta casa fica na Alameda Santos, quase esquina com a Rua Pamplona, praticamente atrás da famosa torre da FIESP.

Esta casa está completando 75 anos de operação, possuindo dezenas de lojas na capital porteña e arredores.

Como ponto de destaque, há em seu website, www.cafemartinez.com.ar, um link para um vídeo produzido pelo The History Channel, dentro da série A História dos Alimentos, que trata rapidamente da origem do café nos planaltos da Ethiopia e os caminhos que trilhou até chegar ao hoje chamado Coffee Belt entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio.

Produzido na Argentina, ao final o vídeo enfoca a ambientação de uma das lojas do Café Martínez.

O link para este interessante vídeo é http://www.cafemartinez.com.ar/videos/historia_del_cafe.wmv.

Assim que visitar esta casa farei comentários.

Abril 26th 2008

Café, Kapeh & Outros Produtos

Já se imaginou lavar o rosto com um sabonete a base de café? Ou adicionar um óleo a base de café numa banheira para uma revigorante imersão?

sabonete kapeh2O grão de café possui um número impressionante de substâncias que o compõem, muitas delas hoje com diversos estudos que comprovam efeitos benéficos para nossa saúde, como os ácidos clorogênicos, que são poderosos anti-oxidantes, que podem auxiliar no retardamento do processo de envelhecimento.

Porém, uma família de produtores de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, teve a idéia de aplicar algumas das substâncias do café em produtos de higiene e cosmética.

Nesta foto, por exemplo, são vistos os sabonetes que lembram a seqüência do processo de amadurecimento do café, com o “Café Verde”, “Café Maduro” e “Café Torrado”. Neste, por exemplo, existem fragmentos de café torrado e moído que funcionam como esfoliante.

Ou seja, uma idéia muito inovadora!

Outro ponto interessante é que são empregados cafés produzidos segundo normas da certificadora Utz Certified, garantindo-se, assim, toda a procedência e rastreabilidade da matéria-prima café nos produtos.

Juliano Kapeh1Nesta foto o Juliano Araujo, cuja família é proprietária da tradicional Fazenda Rancho Fundo, é o agrônomo responsável pela produção de café.

O nome kapeh tem origem maia e significa café.

E aqui há uma nota curiosa: a fazenda da família do Juliano já era certificada pela Utz Kapeh (= bom café, em maia), como anteriormente era conhecida essa certificadora que tem base em Amsterdam, Holanda, e que é uma das mais difundidas certificações de processo de produção de café no Brasil. Você pode saber sobre a Utz através do link na coluna ao lado.

Juliano e sua mulher, Vanessa, que é a responsável pela linha Kapeh, tinham muito interesse em utilizar esse nome, pois é muito fácil sua pronúncia nas diversas línguas, quando souberam que a Utz estava alterando seu nome, pois passou a ter atividade mais abrangente, além da cerficação das fazendas de café. Bingo!

Você pode saber mais sobre isso pelo endereço www.kapeh.com.br .

Abril 21st 2008

Horiguchi Coffee: Reference for Specialties

O mercado japonês se destaca por oferecer cafés de excelente qualidade em média, comparativamente a outros países consumidores. São um pouco menos de 8 milhões de sacas de 60 kg líquidos de café adquiridos anualmente em diversas origens, dos quais mais de 30% do Brasil, com alto padrão de exigência na qualidade.

80410 HoriguchiCoffeeUm pouco desse sucesso no Japão se deve ao fato de que o japonês é um povo ávido por informação de sólidas bases, quase que sempre científica. Basta você acompanhar os programas da poderosa emissora NHK via satélite para entender o que estou comentando.

Eles procuram destrinchar tudo, vão a fundo em cada questão, mesmo nas mais triviais.

Assim, como era de se esperar, dentre os “loucos” por café apareceram figuras hoje importantíssimas como Mr. Toshihide Horiguchi, conhecido como Horiguchi san, um dos mais respeitados especialistas em café do Japão.

Horiguchi teve uma formação eclética, tendo vivido no exterior e feito andanças pela Europa antes de se decidir pelo ramo do café.

80410 HoriguchiEstabeleceu-se em Funabashi, região metropolitana de Tokyo, com o Horiguchi Coffee, uma cafeteria no estilo da West Coast dos Estados Unidos.

A princípio, nesta loja, ele também fazia a torra num torrador de 15 kg. Hoje, possui um local específico para a torra de café.

Além da loja, cuja entrada pode ser vista na primeira foto, com pés de café em primeiro plano, Horiguchi percebeu a necessidade de se aprofundar na questão da qualidade do café, criando, posteriormente, o seu Horiguchi Coffee Research Institute, muito conhecido em japonês como Horiguchi Kohikobo.

Muito bem equipado para os mais diversos testes de torra e de diferentes serviços de café, é, ainda, um espaço para a realização de cursos e palestras sobre qualidade de café.

Eu, seu Coffee Traveler, tive a satifação de ministrar com Mr. Horiguchi uma palestra em conjunto durante a SCAA Conference que ocorreu em Atlanta, Georgia, em 2004. Foi uma experiência gratificante e que estabeleceu uma forte amizade desde então.80410 Horiguchi cafe

Sua loja tem a “cara” Horiguchi.

Elegante e charmosa, com madeira clara como material dominante e diversos nichos nas paredes, onde, além de peças para venda, ficam expostos quadros, souvenirs de suas viagens internacionais, além de certificados de seus cafés emoldurados para o conhecimento dos seus clientes.

Uma grande máquina de 3 grupos faz o principal serviço de espresso e as bebidas derivadas, porém, ainda o tradicional coffee, que é mais diluído que o nosso cafezinho, é o campeão de vendas como serviço de café.

A pastisserie também tem o toque Horiguchi. Com delicadas massas, que muito lembram doces vienenses, fazem o deleite visual e gustativo, compondo um excelente conjunto com os impressionantes cafés oferecidos.

Em seu menu, estão cafés de diversas origens, pessoalmente garimpadas em suas diversas viagens aos países produtores. Cafés dos países do leste africano, Guatemala e outros Centrais, além de um Brasil Cerrado, do Companheiro de Viagem Gláucio de Castro, integram essa seleção.

80410 Horiguchi colectionUm outro destaque: com sua verve artística, Mr. Horiguchi é um apreciador das transparências, colecionando peças em vidro.

Porém, sem dúvida, sua coleção de peças de Murano, a famosíssima origem italiana para vidrarias artesanais, é digna de nota.

Ou seja, além da “viagem” sensorial com os excepcionais cafés e deliciosos bolos, a experiência visual pode ser inesquecível para quem vier a visitar esta importante cafeteria.

Abril 21st 2008

Um Museu do Café…do Outro Lado do Mundo

Fica no Japão um dos mais completos e impressionantes museus sobre o café do mundo.

UCCMuseum KobeInstalado numa ilhota onde fica um grande complexo industrial em Kobe, o UCC Coffee Museum é uma visita obrigatória para todos os “loucos” por café que estiverem passando por aquela região.

Kobe é uma das principais cidades portuárias japonesas, tendo sido a que recebeu as primeiras visitas de naus portuguesas, que desde o final do Século XV já singravam os mares em busca das cobiçadas especiarias que somente o Oriente possuía. Desta série de visitas originou-se uma série de palavras e até um bolo com nomes que têm a sonoridade da língua portuguesa. “Castera” (pronunciando-se kas-te-ra sem acentuação), som que lembra castelo,  é o nome dado a um bolo que é parecidíssimo com o mais básico dos bolos brasileiros, o “Pão-de-Ló”, pois quando os portugueses ofereceram aos japoneses esta sobremesa, estes lembraram-se do formato dos tradicionais castelos japoneses.

A cidade de Kobe possui uma área histórica localizada em sua parte mais alta, enquanto que junto ao mar a cidade possui uma arquitetura arrojadamente futurística, como se tem nas grandes cidades japonesas. Parte dessa arquitetura, que ainda cheira a novo, deve-se à reconstrução que se seguiu ao mais violento terremoto que a região já sofreu, em 1995.

UCCMuseum entradaA UCC - Ueshima Coffee Co. é a maior indústria de café do Japão, líder nesse mercado. Além da sua linha de café, possui uma série de diferentes redes de cafeterias, tipicamente japonesas, e restaurantes de refeições rápidas.

No entanto, é justamente a paixão pelo café que move essa empresa, presidida pelo dinâmico Mr. Tatsushi Ueshima. A UCC possui uma divisão agrícola, que coordena os trabalhos em fazendas próprias na paradisíaca ilha de Kona, no arquipélago de Hawaii, e na mítica região do Blue Mountain, na Jamaica.

O museu fica ao lado da principal planta da UCC, como pode ser vista na primeira foto. Sim, por incrível que pareça, aquela torre de vidros azulados é a área industrial, que prima pela altíssima tecnologia desde a recepção do café cru, o processo de torra até o empacotamento. É uma planta simplesmente impressionante.

O museu procura oferecer uma visão sobre a cultura do café, sua história e desenvolvimento, além de diversos vídeos que mostram a forma de consumo em diversos países.

Abaixo, uma foto da área histórica, vendo-se em primeiro plano os diversos tipos de torradores:

UCCMuseum interno

Com uma excepcional infra-estrutura, o museu conta, além de uma curadora, local para pesquisas históricas e bibliográficas. Inclusive, todos que se dispuserem a conhecer o museu, ao preencherem uma ficha cadastral, são levados a caminhar pelas diferentes áreas temáticas, do plantio até as diferentes formas de consumo.

Como boa surpresa, ao final você recebe um cartão e um pequeno certificado de que você é, agora, um “Entendido em Café”!

Apesar de fora do tradicional circuito turístico que os ocidentais fazem no Japão, este é um local que os “loucos” por café não podem deixar de visitar.

Próxima Página »