Setembro 14th 2007

Secando o Café

Apresentei, anteriormente, alguns vídeos mostrando algumas formas de colheita dos grãos de café. Agora, vamos comentar sobre uma etapa que finaliza o trabalho de uma safra do cafeicultor: a secagem do café.

P1030946Esse grupo de serviços, que é chamado de “pós-colheita”, envolve algumas operações básicas que são: a recepção do café, passagem pelo lavador (cujo objetivo é o de separar os grãos pela densidade, basicamente em cerejas + verdes e grãos passa + secos), descascador (em algumas propriedades, para produção do chamado Cereja Descascado - CD), secagem em terreiro e secadores mecânicos, descanso em tulhas (que são grandes “caixas” normalmente construídas em madeira) e, finalmente, o benefício (quando se prepara o café cru para a comercialização).

Na passagem pelo lavador, que considero um dos equipamentos indispensáveis no processo de pós-colheita, os grãos são separados por diferença de densidade, tendo-se a água como referência.

Os grãos secos ou que já estão em fase “passa”, têm densidade menor que a da água e, portanto, flutuam. Os “cerejas”, que são os grãos plenamente maduros, e os quase, como os verdes e “verde-cana”, têm densidade maior do que a da água e, por isso, seguem para um caminho diferente.

Sobre os processos Natural, quando o grão de café tem sua seca com a casca, e o Cereja Descascado - CD, quando fica apenas com uma película chamada pergaminho, farei comentários numa outra oportunidade.

P1030974Quando os grãos seguem para os terreiros ou páteos, conferem um visual muito bonito ao serem esparramados. 

O trabalho de revolvimento dos grãos é muito importante para que a secagem seja uniforme, fazendo com que, ao final, todos os grãos tenham umidade interna semelhante.

Isto é muito importante não apenas para os trabalhos de benefício, mas também para a manutenção da qualidade de bebida do café.

Existem diversas formas de se fazer esse serviço, empregando-se desde o tradicional rodo até máquinas e equipamentos diversos, fabricados ou adaptados ou, simplesmente “inventados”. O que vale é a criatividade de cada um.

Observe que os terrereiros, pessoas que realizam esse serviço, sempre caminham ao revolver o café, no alinhamento solar. Isto se deve ao fato de que assim os grãos de café recebem uniformemente a luz. 

Veja agora o vídeo para compreender melhor o processo de secagem do café:

Julho 31st 2007

Café & Outros Cultivos

É normal ver lavouras de café cultivadas com outras culturas como o milho e feijão, em modelo que é chamado de “consorciamento”.

A idéia básica é a de que essas outras culturas, que normalmente têm o seu ciclo de produção mais rápido, ajudem no custeio do cafezal, gerando um fonte de receita extra.

É uma prática muito comum entre os produtores da agricultura familiar que, devido ao pequeno espaço disponível, têm a necessidade de aproveitar bem cada pedaço de solo.

Um exemplo interessante é este, em que o café está cultivado juntamente com bananeiras.

O Márcio Heleno, do Sítio São Benedito, de Dom Viçoso, Serra da Mantiqueira, MG, posa ao lado de sua lavoura consorciada.

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Observe agora, em “close” os grãos amarelos em ponto de plena maturação, quando adquirem coloração dourada… Bonito, não é mesmo?

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Pode acontecer o inverso, também: é o caso em que a lavoura de café “financia” uma lavoura ainda mais nobre!

Paulo Celso de Almeida, do Chapadão de Ferro, Patrocínio, MG, fez um plantio consorciado de café com mogno, árvore que fornece nobre madeira de tons avermelhados, muitíssimo apreciada pelos ingleses.

É uma poupança, como ele diz, pois somente daqui a uns 20 anos ele poderá “sacar” o que investiu…

Veja o aspecto dessa lavoura café e mogno com 6 anos de idade:

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Julho 12th 2007

O Terreiro e a Motoca

Já comentei que o grão de café é um fruto e como tal é importante respeitar o seu ponto ideal de colheita, que corresponde à sua plena maturação, para se obter uma bebida de boa qualidade. Diferentemente de frutas como, por exemplo, a banana, o fruto do café, uma vez retirado da árvore, não prossegue com sua maturação.

Se colhido perfeitamente maduro, está com toda a qualidade possível, em termos de bebida. No entanto, a fase seguinte, que é o da secagem do grão, que tem seu ponto de finalização em torno de 11% de umidade, é decisiva para a manutenção da qualidade que potencialmente o grão carrega desde que foi destacado do cafeeiro.

O Brasil é um país que, devido à sua posição no globo terrestre, possui abundância de sol, mesmo no período que se denomina inverno, que coincide com o tempo de colheita do café.

P1030948Assim, o emprego de terreiros é comum em todas as fazendas de café e que criam toda a magia desse importante momento de seu ciclo anual. Podem ser pavimentados em concreto, asfalto ou mesmo tijolos.

Para que a secagem se processe de maneira uniforme, é recomendado que os grãos dispostos nos terreiros  sejam movimentados a cada 50 minutos a 1 hora em média, seguindo sempre a direção do sol, que pode ser ajustada a partir do posicionamento da sombra da pessoa que faz o serviço, como pode ser observado nesta foto.

Este café é o denominado “Natural” porque sua secagem se faz mantendo a casca. Ao finalizar este processo, é chamado de “café em côco”.

Nesta outra foto, o café que está em secagem é o chamado “Cereja Descascado” ou, simplesmente, “CD”, como os produtores e técnicos o apelidaram.

P1010036É o café que teve sua casca externa retirada, ficando as sementes envoltas apenas por uma película interna denominada “pergaminho”, devido à coloração que lembra os famosos precursores do papel.

Esses grãos estão dispostos num terreiro suspenso, que é uma comprida tela que permite excelente ventilação. 

No caso de fazendas que possuem uma grande produção de café, soluções mecanizadas vêm ganhando diferentes versões, desde o emprego de tratores até, como pode ser visto neste vídeo, motos de 50 cc, as chamadas “Cinqüentinhas”, que fazem um belo serviço:

 

Julho 6th 2007

A Mão Mecânica na colheita de café

As regiões montanhosas normalmente apresentam belíssimos mosaicos com as linhas das lavouras de café, destacadas pelo declive do terreno.

P1030880Todos os serviços para os chamados tratos culturais, como adubação, controle de pragas e doenças, por exemplo, são feitos exclusivamente pela mão do homem.

É muito difícil o trânsito de máquinas em locais de tamanha declividade.

Só que quando chega o momento da colheita, também esta é feita toda manualmente.

Ou era…

Com a elevação dos salários, atividades como a cafeicultura de montanha, que emprega intensivamente mão-de-obra, combinada com a trajetória descendente da cotação do dólar, moeda de referência, diante da moeda brasileira, vêm buscando alternativas para conter os custos de produção.

Um dos inventos que se mostram muito interessantes é a chamada Mão Mecânica, que é uma derriçadeira portátil.

Na verdade, é uma adaptação de um longo braço com um sistema de falanges vibratórias que lembram os dedos de uma mão acoplado a um motor de 2 tempos de moto-serra.

O braço permite alcançar as copas dos cafeeiros mais altos, e, através de um movimento chamado “pentear”, o operador derriça os grãos de café sobre os panos extendidos de forma muito eficiente e rápida.

Veja o seu funcionamento no vídeo a seguir:

Junho 26th 2007

Os Verdes Grãos Indesejáveis…

Em fins de janeiro, quando o Sérgio d´Alessandro, de Manhumirim, região da Serra do Caparaó, MG, relatou sua preocupação com uma indesejável florada, não havia ainda uma constatação da dimensão que esse evento alcançaria.

Em seguida, observamos o mesmo problema em outras origens como na Mogiana, SP, no Cerrado Mineiro, e na Serra da Mantiqueira, Sul de Minas, além de relatos de produtores do Oeste da Bahia e do Paraná.

Vejam, agora o efeito durante este importante momento, que é o da colheita. Esta sequência de fotos captada em lavouras de Dom Viçoso, Serra da Mantiqueira, MG.

 

1. Apesar do belo efeito estético, pode se ver perfeitamente as diferentes floradas, desde a mais antiga, com os grãos quase secos, e a mais recente, com os grãos verdes:

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2. Nesta próxima foto, observe os grãos verdes em internódios (de onde saem os botões de flores que se tornarão frutos ou, dependendo da resposta fisiológica do cafeeiro, uma nova ramificação) que obrigatoriamente têm de ser colhidos agora, pois sua maturação será muito tardia.

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Infelizmente, estes grãos se constituem em dupla perda: como verdes, serão descartados durante o preparo do café para a comercialização e, por outro lado, fazem com que esses internódios deixem de produzir na próxima safra.

 

3. Agora, um outro evento ainda mais preocupante: uma florada em pleno mês de junho (esta imagem foi captada no dia 21). O clima, definitivamente, está maluco…

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