Outubro 7th 2008

More from Kopi Luwak

Sendo um dos posts mais visitado do blog, talvez pelo aspecto totalmente inusitado de sua produção, The Animal Coffee, como é conhecido e comercializado o café produzido pelo “gatinho” indonésio, dá muitas asas à criatividade para a postagem de comentários.

KopiLuwak pkgDentre os diversos comentários postados, escolhi este, do Companheiro de Viagem Arthur Diniz, pela finíssima análise sobre o produto e seus consumidores:

“No livro clássico ” A teoria da classe ociosa”, o genial economista Thorstein Veblen descreve o que chama de “Consumo Ostensivo” . Este café de cocô de gambá é um exemplo genial!!!!Além de ser caríssimo(o que satisfaz o esnobismo)é um castigo, melhor dizendo, uma gozeira aos deslumbrados - é cocô mesmo!kkkk! Adieu!! “

Porém, o ser humano é extremamente inclinado às experimentações; portanto, controvérsias à parte, o que vale para o que denomino de “Prática Sensorial” é ser agradável ou não. O restante segue muito os aspectos culturais da região de cada consumidor.

Setembro 21st 2008

Harmonizando Café & Chocolate

Os grãos de café e os de cacau têm uma trajetória muito parecida são frutos de árvores de produção anual produzidos em áreas localizadas entre os Trópicos de Capricónio e de Câncer. Curiosamente, também, os países produtores de cacau se confundem como países produtores de café, como o Brasil e o Equador, por exemplo.

P1030931Outro ponto em comum é o fato de que o cacau, assim como o café, possui 3 espécies de grande importância comercial, que são: Criollo, considerado o mais nobre devido à sua maior exigência na produção, porém com produto de excepcional qualidade sensorial; Forastero, mais rústico e de sabor neutro, servindo como base para a grande indústria do chocolate; e o Trinitario, que é um híbrido dos dois anteriores, mesclando de forma positiva os melhores atributos de cada um.

Para efeito de comparação, o Criollo corresponde à espécie Coffea arabica, com a diferença que a participação daquela espécia no mercado do cacau corresponde a aproximadamente 5% do total de volume. O Forastero atende a 80% do volume de cacau comercializado no mercado global e têm sua correspondência no café com o Coffea canephora. Finalmente, o Trinitario seria um híbrido como os Sachimor e Catimor.

Valrhona1Tive a oportunidade de realizar um workshop sobre Harmonização de Café & Chocolate no último dia 17, durante a Etapa Paulista do Campeonato Brasileiro de Barista.

Muitas das informações obtive previamente com o Carlos Henrique Silva, da Vital Gourmet, que representa os espetaculares chocolates produzidos pela Valrhona.

Durante nossa preparação, pude conhecer com mais detalhes os processos de produção de cacau e de sua industrialização, onde muitos pontos são semelhantes aos processos do café. Sobre isso, abordarei em outro post.

A Valrhona é uma empresa francesa e produz chocolates de altíssima qualidade seguindo filosofia muito próxima a dos Cafés Especiais.

Valrhona2Foram escolhidos alguns países para a produção do cacau em razão dos sabores que cada origem confere ao chocolate. Sim, mais uma vez encontramos semelhança com o café: são ambos produtos de “terroir”, ou seja, resultados diretos das influências geográficas, botânicas e de manejo!

Existem alguns produtos que são representativos dessa incrível gama de aromas e sabores produzidos pela Valrhona, que é a contração de Vallée du Rhône: Jivari, que é um blend América do Sul, Caraibe, um blend do Caribe, Manjari, 100% Madagascar, e Guanaja, blend Venezuela-Equador. 

Para o workshop, escolhi os seguintes cafés desta nova safra: um café de Manhumirim, Serra do Caparaó, Bourbon Amarelo; um café de Patrocínio, de uma micro-região denominada Chapadão de Ferro, Mundo Novo; e um de Coromandel, MG, Catuaí Vermelho 144 e Mundo Novo.

Os resultados foram impressionantes principalmente ao combinar o Manjari com o Chapadão de Ferro, muito mineral e com toques aromáticos florais adocicados, e o Guanaja com o Coromandel, com marcante frutado a carambola e finalização a amêndoas.

Inesquecível!

Para conhecer mais sobre os chocolates, você pode visitar o www.valrhona.com .

Agosto 1st 2008

Carinho e Criatividade: Cafeicultura dos Pequenos -1

Com a disseminação de conceitos que são levados pelas certificações, os produtores agrícolas, em geral, estão se familiarizando com as diversas normas de produção, que envolvem aspectos referentes às Boas Práticas Agrícolas (BAP).

Div IvanSantos CD  512 x 384 Estas chamadas Boas Práticas recomendam o criterioso emprego dos defensivos agrícolas, que são principalmente os herbicidas (”os que matam ervas”) e inseticidas (”os que matam as pragas = insetos”), além dos eventuais fungicidas (”os que exterminam os fungos = fontes de doenças”). Outros aspectos, como o uso de equipamentos para proteção no momento da aplicação desses produtos, bem como o equilibrado emprego dos adubos e dos cuidados durante a colheita, acabam influindo positivamente na obtenção de produtos agrícolas de melhor qualidade.

No caso do café, as principais certificações em voga como a Rainforest, que possui um rigoroso protocolo para os aspectos ambientais, a Utz Certified, que funciona semelhante a um modelo ISO de processos, além da Produção Orgânica e Fair Trade (= Comércio Justo) também são muito atentas aos procedimentos agronômicos, pedindo, por exemplo, a separação de produtos alimentícios, que no caso são os grãos de café, dos defensivos.

Observe que é o simples emprego do “Bom Senso”… não se mistura, por exemplo, sabão em barra com um pacote de açúcar numa mesma sacola!

IvanSantos Pai  384 x 512A micro-região onde está o município paulista de Divinolândia caracteriza-se pela sua cafeicultura de pequenos produtores, onde a média é da ordem de 5 hectares por produtor.

Para se ter idéia, chega a ser muito menor do que muitas das áreas médias de glebas (frações identificadas de lavouras) de grandes produtores. Na região do Cerrado Mineiro, por exemplo, as glebas ou talhões em média têm de 15 a 20 hectares!

Localizada na mesma escarpa onde está a mineira Poços de Caldas, as altitudes de produção de café em Divinolândia são possivelmente as mais elevadas do Brasil, pois sua média situa-se em torno de 1.200 m acima do nível do mar, 100 metros a mais, por exemplo, que as lavouras da Serra da Mantiqueira, MG. Assim, um clima privilegiado com efeitos amplificados pela altitude propicia cafés excepcionais.

Mesmo tendo em sua quase totalidade pequenos produtores, os cafeicultores de Divinolândia procuram atender os requisitos das principais certificações.

IvanSantos Deposito  384 x 512É o caso do Ivan Santos, cuja lavoura de café está a quase inacreditáveis 1.400 metros de altitude.

Com um capricho imenso, Ivan pessoalmente conduz a colheita, junto com o seu pai, e cuidadosamente faz o descascamento dos cerejas, que seguem para a seca nos terreiros concretados. A primeira foto mostra os grãos ainda envoltos por uma fina casca denominada “pergaminho”, que é constituída basicamente por celulose.

Para melhor preservar o seu café seco, Ivan forrou literalmente o pequeno cômodo de madeira que funciona como armazém com embalagem de leite longa vida. Incrível, não?

Ou seja, o Ivan conseguiu um excelente resultado usando sabiamente sua criatividade…

Aliás, por falar em criatividade, observe esta foto abaixo. É uma pequena vila ou “Corrutela” (como dizem os locasi) próximo ao Ivan. Para que a seca dos grãos, algumas famílias usam a própria rua como terreiro literalmente asfaltado!

Eu diria que, neste caso, já se trata de um abuso de criatividade…

DriyngCoffee  inTheStreet  512 x 384

Julho 31st 2008

COFFEEA: a Photo Book by Marcos Piffer

Aos “loucos” por café e arte: este é um livro de fotos simplesmente deslumbrante!

Coffea capaPublicado pelo próprio Marcos Piffer, o livro, na realidade um impressionante acervo de belas fotos em profissionais Preto & Branco, é o resultado de mais de 50 viagens que ele realizou às mais diversas origens brasileiras de café desde 2003, quando realizou um trabalho fotográfico para uma empresa.

Marcos centrou suas lentes e abriu foco basicamente em rostos e expressões das pessoas que fazem a saga do café.

Sua primeira foto é justamente uma em que ele captou o mágico momento que antecede a floração, conhecida como “Fase Vela”, pois as pétalas, estimuladas pelo relógio biológico do cafeeiro, ganham um formato que lembra as antigas velas em castiçais.

Isto é emblemático, pois sugere o início da saga que será apresentada ao longo de mais de 150 fotos.

Coffea passarosDa mesma forma, Marcos deu grande importância ao plantio do café, quando um dos grupos mais numeroso de fotos desfila, captando diferentes detalhes.

Naturalmente, a colheita recebeu o maior destaque.

Agora, o nome do livro é muito interessante: “COFFEA - O Café no Brasil no Século XXI”.

Considerei, no mínimo, instigante, a escolha do subtítulo. Afinal, o Brasil é reconhecido pela sua cafeicultura de vanguarda, com os mais renomados centros de pesquisa, ao mesmo tempo em que o parque industrial oferece uma gama de máquinas e implementos nem de longe sonhados em outras origens produtoras.

No entanto, retratar fortes imagens, ainda mais dramáticas em P&B, e que, se cuidadosamente, você se lançar às viagens que cada uma pode lhe proporcionar, a impressão que se tem é a de que tudo não passa de um longo retorno ao passado.

Coffea bagsA verdade é que ainda é uma minoria que desfruta de toda a tecnologia disponível, o que nos faz pensar de que, na realidade, muito do que ainda se pratica na cafeicultura do Brasil se mantém desde que o Vale do Paraíba abrigava os primeiros “Barões do Café”.

Há uma ponto positivo nisso: o toque humano é imprescindível, seja ao habilmente colher somente os grãos mais maduros, seja ao manejar os grãos no terreiro, durante a secagem, com um ritmo que nem todo DJ consegue reproduzir..  

Com textos de Eduardo Carvalhaes Jr, Simonetta Persichetti e Soren Knudesen, o livro pode ser encontrado na livraria FNAC. São mais de 200 páginas, em formato 25 cm x 33 cm, com acabamento em alto luxo.

Sem dúvida, algo para ter em sua estante. 

Julho 28th 2008

Arte & Café: by Oliviero & Marirosa

Arte é a expressão criativa dos sentimentos humanos.

E, obviamente, você pode encontrar essa “expressão artística” em diversos elementos e situações, inclusive ao beber um belo café…

Existem vários trabalhos artísticos envolvendo o café, porém este, em particular, considero muito interessante, pois as composições combinam os diversos “estados” do café, como os grãos inteiros, grãos moídos e sachês, por exemplo.

Elaborado por Oliviero & Marirosa Toscani, esta exposição, denominada FACCE & FIORI, fez presença dentro do SCAA Show deste ano.

Confira as belas e interessantes composições:

Oliviero Marirosa 1  384 x 512

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta é a entrada da Mostra FACCE & FIORI.

 

Oliviero Marisosa 2  384 x 512

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma bela composição FACCE com sachês, grãos inteiros e café em pó.

 

Oliviero Marirosa 3  384 x 512

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora, a vez de uma FIORI, elegantemente executada com grãos inteiros e pós mais grosso, próprio para French Press.

 

Oliviero Marirosa 4  384 x 512

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma outra FACCE divertidamente executada com grãos inteiros e sachês.

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