Agosto 11th 2008

Remembering Ward Barbee… (Lembrando Ward Barbee…)

No último dia 05 de agosto completou-se 2 anos que estamos sem o impagável Ward Barbee.

604 Bruno Ward MeWard era o  publisher da Fresh Cup Magazine e um incansável defensor dos excelentes cafés e, principalmente, dos seus produtores, ainda mais se fossem os de pequena produção.

Ward foi uma típica figura dos anos 60-70, que viveu intensamente o Flower Power, embalado ao som de San Francisco, de Scott Mackenzie, ou de um alucinante solo de guitarra do Jimi Hendrix em Little Wing. Essa vivência o fez ainda mais aberto às experimentações, buscando sempre inovações em tudo.

Nesta foto ao lado, que foi tirada exatos 30 dias em Charlotte, antes de sua retirada para as Cafeterias Celestiais, Ward está ladeado por Bruno Souza, da BECCOR, e eu, seu Coffee Traveler.

Desde o seu início, o Movimento dos Cafés Especiais no princípio dos anos 80 liderado pelo pessoal da chamada Bay Area, na California, que culminou com a fundação da SCAA  - Specialty Coffee Association of America, teve em Ward um dos seus mais legítimos porta-vozes. Juntamente com a amiga Jen Weigel fundou a hoje emblemática Fresh Cup Magazine em 1992, tornando-se a mais influente revista sobre Cafés Especiais no mercado.

510 Paula Ward BRCarisma e uma magnética personalidade que criava sempre uma atmosfera divertida e vibrante, Ward nos seus últimos anos passou a defender junto aos consumidores o “verdadeiro motor da indústria dos cafés especiais”, segundo ele, que são os produtores e seus cafés.

Segundo ele, de nada adianta glamour e brilho, marketing e sofisticação se os produtores de café, principalmente os pequenos que ficam em quase isolados rincões nos mais diversos países, não participarem da “festa”!

Nesta irreverente foto, junto com sua jovial companheira Paula, vemos Ward de costas “mostrando” seu lado imprensa…

Foi sua única vinda ao Brasil, em outubro de 2005, quando falou aos cafeicultores no Cerrado Mineiro sobre essa sua visão de mercado.

Então…Viva Ward!!!

Agosto 6th 2008

Uma Delícia de Blog no Pedaço!

Pois é, um novo Blog para “loucos” por café no pedaço!

É a vez do “Vinho, Café e Outras Delícias”, deliciosamente escrito pela Letícia Ramos.

P1050034  512 x 384Letícia, esta bela garota ao lado do Manoel Beato, deixou seu trabalho como barista em São Paulo e assistente do Manoel para, depois de um divino repente, seguir para uma temporada nos Estados Unidos para se aprofundar no mundo dos cafés especiais, além de, por estar na West Coast, conhecer a Wineland norte-americana.

Jovem, mas decidida, Letícia escreve suas experiências nesse “novo mundo”, muitas das quais com pessoas e locais que vocês já conheceram em nosso blog. 

Recomendo a visita, cujo link está no menu ao lado, pois releituras e novos temas são sempre “delícias” para serem apreciadas…   

Agosto 1st 2008

Carinho e Criatividade: Cafeicultura dos Pequenos -1

Com a disseminação de conceitos que são levados pelas certificações, os produtores agrícolas, em geral, estão se familiarizando com as diversas normas de produção, que envolvem aspectos referentes às Boas Práticas Agrícolas (BAP).

Div IvanSantos CD  512 x 384 Estas chamadas Boas Práticas recomendam o criterioso emprego dos defensivos agrícolas, que são principalmente os herbicidas (”os que matam ervas”) e inseticidas (”os que matam as pragas = insetos”), além dos eventuais fungicidas (”os que exterminam os fungos = fontes de doenças”). Outros aspectos, como o uso de equipamentos para proteção no momento da aplicação desses produtos, bem como o equilibrado emprego dos adubos e dos cuidados durante a colheita, acabam influindo positivamente na obtenção de produtos agrícolas de melhor qualidade.

No caso do café, as principais certificações em voga como a Rainforest, que possui um rigoroso protocolo para os aspectos ambientais, a Utz Certified, que funciona semelhante a um modelo ISO de processos, além da Produção Orgânica e Fair Trade (= Comércio Justo) também são muito atentas aos procedimentos agronômicos, pedindo, por exemplo, a separação de produtos alimentícios, que no caso são os grãos de café, dos defensivos.

Observe que é o simples emprego do “Bom Senso”… não se mistura, por exemplo, sabão em barra com um pacote de açúcar numa mesma sacola!

IvanSantos Pai  384 x 512A micro-região onde está o município paulista de Divinolândia caracteriza-se pela sua cafeicultura de pequenos produtores, onde a média é da ordem de 5 hectares por produtor.

Para se ter idéia, chega a ser muito menor do que muitas das áreas médias de glebas (frações identificadas de lavouras) de grandes produtores. Na região do Cerrado Mineiro, por exemplo, as glebas ou talhões em média têm de 15 a 20 hectares!

Localizada na mesma escarpa onde está a mineira Poços de Caldas, as altitudes de produção de café em Divinolândia são possivelmente as mais elevadas do Brasil, pois sua média situa-se em torno de 1.200 m acima do nível do mar, 100 metros a mais, por exemplo, que as lavouras da Serra da Mantiqueira, MG. Assim, um clima privilegiado com efeitos amplificados pela altitude propicia cafés excepcionais.

Mesmo tendo em sua quase totalidade pequenos produtores, os cafeicultores de Divinolândia procuram atender os requisitos das principais certificações.

IvanSantos Deposito  384 x 512É o caso do Ivan Santos, cuja lavoura de café está a quase inacreditáveis 1.400 metros de altitude.

Com um capricho imenso, Ivan pessoalmente conduz a colheita, junto com o seu pai, e cuidadosamente faz o descascamento dos cerejas, que seguem para a seca nos terreiros concretados. A primeira foto mostra os grãos ainda envoltos por uma fina casca denominada “pergaminho”, que é constituída basicamente por celulose.

Para melhor preservar o seu café seco, Ivan forrou literalmente o pequeno cômodo de madeira que funciona como armazém com embalagem de leite longa vida. Incrível, não?

Ou seja, o Ivan conseguiu um excelente resultado usando sabiamente sua criatividade…

Aliás, por falar em criatividade, observe esta foto abaixo. É uma pequena vila ou “Corrutela” (como dizem os locasi) próximo ao Ivan. Para que a seca dos grãos, algumas famílias usam a própria rua como terreiro literalmente asfaltado!

Eu diria que, neste caso, já se trata de um abuso de criatividade…

DriyngCoffee  inTheStreet  512 x 384

Julho 31st 2008

COFFEEA: a Photo Book by Marcos Piffer

Aos “loucos” por café e arte: este é um livro de fotos simplesmente deslumbrante!

Coffea capaPublicado pelo próprio Marcos Piffer, o livro, na realidade um impressionante acervo de belas fotos em profissionais Preto & Branco, é o resultado de mais de 50 viagens que ele realizou às mais diversas origens brasileiras de café desde 2003, quando realizou um trabalho fotográfico para uma empresa.

Marcos centrou suas lentes e abriu foco basicamente em rostos e expressões das pessoas que fazem a saga do café.

Sua primeira foto é justamente uma em que ele captou o mágico momento que antecede a floração, conhecida como “Fase Vela”, pois as pétalas, estimuladas pelo relógio biológico do cafeeiro, ganham um formato que lembra as antigas velas em castiçais.

Isto é emblemático, pois sugere o início da saga que será apresentada ao longo de mais de 150 fotos.

Coffea passarosDa mesma forma, Marcos deu grande importância ao plantio do café, quando um dos grupos mais numeroso de fotos desfila, captando diferentes detalhes.

Naturalmente, a colheita recebeu o maior destaque.

Agora, o nome do livro é muito interessante: “COFFEA - O Café no Brasil no Século XXI”.

Considerei, no mínimo, instigante, a escolha do subtítulo. Afinal, o Brasil é reconhecido pela sua cafeicultura de vanguarda, com os mais renomados centros de pesquisa, ao mesmo tempo em que o parque industrial oferece uma gama de máquinas e implementos nem de longe sonhados em outras origens produtoras.

No entanto, retratar fortes imagens, ainda mais dramáticas em P&B, e que, se cuidadosamente, você se lançar às viagens que cada uma pode lhe proporcionar, a impressão que se tem é a de que tudo não passa de um longo retorno ao passado.

Coffea bagsA verdade é que ainda é uma minoria que desfruta de toda a tecnologia disponível, o que nos faz pensar de que, na realidade, muito do que ainda se pratica na cafeicultura do Brasil se mantém desde que o Vale do Paraíba abrigava os primeiros “Barões do Café”.

Há uma ponto positivo nisso: o toque humano é imprescindível, seja ao habilmente colher somente os grãos mais maduros, seja ao manejar os grãos no terreiro, durante a secagem, com um ritmo que nem todo DJ consegue reproduzir..  

Com textos de Eduardo Carvalhaes Jr, Simonetta Persichetti e Soren Knudesen, o livro pode ser encontrado na livraria FNAC. São mais de 200 páginas, em formato 25 cm x 33 cm, com acabamento em alto luxo.

Sem dúvida, algo para ter em sua estante. 

Julho 8th 2008

50 anos dos 50 anos da Imigração Japonesa no Brasil…

Se pensarmos que 100 anos de comemoração podem significar também 50 anos de comemoração do 50. aniversário da Imigiração Japonesa no Brasil, há um interessante registro histórico para isso.

Takahito Yuriko Brasil50  365 x 482O jornal FOLHA DE SÃO PAULO possui um espaço onde costuma apresentar as manchetes de 50 anos atrás, baseados no mesmo dia e mês.

Neste caso, consegui esta página do dia 19 de junho de 1958, que contem um retrato do Príncipe Takahito e a Princesa Yuriko bebendo um emblemático cafezinho, justamente quando vieram ao Brasil para os festejos dos 50 anos da Imigração Japonesa.

A foto, tirada no dia 18 de junho de 1958, mostra ambos numa recepção em Mogi das Cruzes, cidade a 60 km distante da capital paulistana e que possui uma grande colônia japonesa. Tradicionalmente os descendentes nipônicos daquela área dedicavam-se no plantio de horti-fruticultura, abastecendo principalmente a cidade de São Paulo.

Vale o registro histórico, que mais um vez sela a origem da saga japonesa no Brasil com um típico cafezinho…

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