Julho 14th 2008

Sustainable Coffees: Sustentabilidade, e aí? - 1

Uma das palavras mais bombardeadas pela mídia nos últimos tempos é a “sustentabilidade”. De supermercados aos bancos, das empresas de cosméticos às editoras. Todo mundo está falando essa nova palavra…

São vários os sentidos para Sustentabilidade ou “Sustainability”, que vieram de “Sustainable”.

DGriswold Bruno Mari EuEm inglês, sustainable significa sustentável ou amparado, sendo utilizada pela primeira vez no mercado do café por David Griswold, que foi um dos Presidentes da SCAA - Specialty Coffee Association of America, e é Presidente da empresa Sustainable Harvest Importer, fundada em 1997 e baseada em Portland, OR, e que é especializada em cafés de alta qualidade produzidos por pequenos produtores  de café em todo o mundo. Veja nesta foto, tirada no escritório da Sustainable Harvest, a partir da esquerda, Bruno Souza, da BECCOR, Mariana Caetano, então Assessora da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, eu, seu Coffee Traveler, e David Griswold.

Seu trabalho envolve o suporte às comunidades de pequenos produtores nas regiões mais carentes das principais origens de cafés, como o treinamento e orientação voltados para a produção de cafés de alta qualidade, noções de conservação ambiental e de organização social. Você pode conhecer mais sobre o trabalho do David Griswold através do website www.sustainableharvest.com .

Dentro da origem da palavra Sustentabilidade ou Sustentável, veio uma série de conceitos que foram se agregando, muitos dos quais impostos por grandes corporações e empresas, como o de “Ser Sustentável pela Preservação Ambiental, pelo Bem-Estar e tratamento digno aos funcionários, pelo Uso Racional dos Recursos Naturais e, certamente o mais importante, pela Sustentação Financeira do empreendimento”.

Essas condições exercidas por grandes corporações não são nada difíceis de serem executadas, pois trata-se muito mais de um dever de reciprocidade do que por questões financeiras. Afinal, se dezenas ou centenas de pessoas são contratadas para exercer as mais diversas funções dentro de uma empresa, para o equilíbrio das relações laborais este deve se extender dentro das regras de Deveres e Direitos.

AAvanci terreiroLevar esse emaranhado de conceitos, mas que, ao se destilar acabam por se resumir em “ser rentável de forma justa”, para pequenos produtores ou empresários é a parte mais difícil!

Existem, porém, diversos excelentes exemplos de trabalhos visando a Sustentabilidade dos negócios de comunidades de pequenos produtores em todo o Brasil, e iniciarei com o que está acontecendo no Espírito Santo, em sua região de montanha.

Em Venda Nova do Imigrante, pequena cidade há pouco ainda emancipada, um círculo virtuoso se criou e faz com que haja um crescimento econômico consistente em todos os aspectos. Encravada no lado voltado ao Oceano Atlântico da Serra do Caparaó, um impressionante esforço conjunto entre o poder público, iniciativa privada e pessoas está produzindo uma silenciosa, porém exuberante transformação.

Observe nesta foto o trabalho de um cafeicultor capixaba mexendo o café em seu terreiro.

Conduzido pela PRONOVA, uma cooperativa de pequenos produtores de café e que está realizando vendas para diversos destinos internacionais, os produtores procuram fazer todos os serviços dentro do conceito das Boas Práticas Agrícolas e de Manejo de Café, num grande laboratório que permitirá a certificação de processo de produção para toda a coletividade. E saiba que são mais de duas dezenas de produtores!

80613 Antonioavanci  512 x 384Posando orgulhoso ao lado de seus instrumentos de trabalho, aliás todos feitos por ele mesmo, está o septuagenário Sr. Antonio Avanci, que nos recebeu em seu pequeno sítio, de apenas 3 hectares.

O ar de limpeza e capricho está representado nesta foto, que capturou um momento particularmente feliz.

O comprometimento com a qualidade, o empenho em fazer “bem feito” e, principalmente, fazer tudo com grande alegria.

Talvez seja esse um dos grandes e secretos ingredientes para se criar um ambiente próspero.

Aliás, será que Sustentabilidade não rima melhor com Prosperidade?

 

Julho 7th 2008

The Starbucks’ Dilemma

Está repercutindo muito o anúncio do fechamento de 600 lojas das suas quase 7.000 existentes em território norte-americano ostentando a famosa logomarca verde com o desenho em linhas brancas da emblemática sereia. Isto representa quase 9% do total, além de significar, em conjunto, um corte de aproximadamente 12.000 postos de trabalho numa ceifada só.

Em se tratando de uma rede que tinha como característica o crescimento contínuo, um movimento inverso pode representar um revés muito grande. Porém, se avaliarmos com frieza os números e, também, sua estratégia maluca de crescimento, certamente alguns indícios do que hoje está se passando estavam visíveis.

Starbucks plaqueSeattlePortSeus problemas se iniciaram exatamente quando se pensava que uma solução financeira havia sido encontrada: a abertura de capital através da oferta de ações em bolsa.

Este tipo de mecanismo pode se tornar numa afiadíssima lâmina de dois gumes: se por um lado permite uma robusta capitalização da empresa, naturalmente através da aceitação de inúmeros novos sócios, por outro faz a empresa refém de um vicioso modelo de geração contínua de lucros. Isso mesmo, para quem fez o investimento, lhe interessa o retorno em volumes sempre expressivos.

Isso explica o porque do crescimento desenfreado que a Starbucks experimentou a partir do início deste Século, com um plano de expansão considerado maluco por muitos especialistas em Franchising e negócios imobiliários: muitas vezes as lojas ficam tão próximas, mas tão próximas uma das outras, que em diversos casos é possível encontrar duas lojas numa mesma quadra!

Grande volume de negócios necessariamente não representa que o lucro seja grande também…

Por outro lado, a partir de uma certa escala, tentar manter o mesmo ritmo alucinante de expansão de lojas, algo como dobrar o seu número a cada 2 anos, torna-se tarefa hercúlea: o dobro de 5 é 10, porém o dobro de 3.000 é 6.000!

Em seu atual tamanho, a Starbucks coloca-se como uma das maiores indústrias torrefadoras norte-americanas, ao lado de uma Procter & Gamble, Sara Lee ou Kraft. Afinal, seu volume de café cru está por volta dos 1,9 milhões de sacos de 60 kg ,  que significa 10% do total de café cru importado pelos Estados Unidos! 

Ou seja, o seu grande trunfo do início, que é o que caracteriza o mercado de cafés especiais, se perdeu: com esse tamanho, a Starbucks deixou de ser contra-cultura e passou a ser parte do establishment (= Sistema Vigente). Era isso que chamava os novos consumidores, que como todo bom jovem, gosta de “ir contra o sistema”, ou, simplesmente, “ser do contra”…

Resta saber como Schultz, seu primeiro grande Presidente e de volta ao posto, irá resolver essa questão.

Junho 30th 2008

Espaço Café Brasil - 2

Novidades no Brasil para os “loucos” por café:

PortaFiltro Teflon * Observe atentamente o interior deste porta-filtro.

Percebeu sua coloração escura, lembrando… uma frigideira revestida com Teflon?

Isso mesmo!

Este porta-filtro é mais uma grande ”sacada” do pessoal da La Marzocco, a tradicional fabricante florentina de máquinas de espresso premium. O conceito pensado ao se fazer o revestimento com o teflon foi justamente para que não houvesse qualquer tipo de efeito de arraste provocado por imperfeições da superfície metálica do recipiente que acolhe o filtro com o pó de café compactado. Porém, ainda não conseguiram revestir os “bicos” por onde saem os cremosos espressos bem extraídos.

De qualquer forma, o resultado é muito interessante!

LuccaSele    o* Uma super-seleção de cafés de fazendas identificadas de diversas origens brasileiras.

São mais de 10 (dez) diferentes lotes de café selecionados pela Georgia Franco, da Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, PR.

Incrível, não?!

É o mesmo modelo empregado há anos nas cafeterias de ponta da West Coast, fonte de onde a Georgia bebeu para se inspirar e montar a sua Lucca. Para que isso se tornasse realidade, foi necessária grande dose de arrojo e visão de futuro, pois somente os “loucos” por café é que acreditam que a qualidade é a principal bandeira para um mercado tão efervecente quanto o dos cafés especiais. Ou deliciosamente “loucas”, como a Georgia.

Para que esses interessantíssimos cafés pudessem ser servidos corretamente, durante o 3. Espaço Café Brasil o stand da Lucca Cafés abrigou a única Clover S1 em solo brasileiro. Ou seja, outra generosa dose de ousadia e de forte crença na qualidade.

Bunn Tiger * Tiger, da Bunn Corporation.

Um nome para não ser esquecido!

Esta máquina super-automática recentemente lançada pela Bunn, empresa norte-americana lider na fabricação de equipamentos para infusão (Brewers), aquecedores de água de alta performance (Warmers) e moinhos de alta precisão, possui diversos conceitos inovadores.

O que chama a atenção é o seu design, limpo e, ao mesmo tempo, imponente. Destaque para a delicada iluminação em azul, conferindo sofisticação.

Porém, é em seu interior que estão as verdadeiras “pérolas”: uma inteligente separação dos setores (eletrônica, bombas e moinhos), um genial sistema para se promover a aeração do leite sob baixa temperatura (sim, o leite aerado sai com discreto aumento de temperatura em relação ao reservatório) e um eficiente sistema de auto-limpeza a cada ciclo de trabalho.

Tanto o espresso solo quanto o cappuccino extraídos pela Tiger impressionam pela qualidade e, principalmente, pela estabilidade, ou seja, mesmo um serviço sob regime intensivo, os cappuccinos apenas sofrem discretas variações na consistência de seu leite aerado.

Abril 27th 2008

A Invasão Porteña no Brasil

Durante muito tempo, o pessoal do Hemisfério Norte pensava que a capital do Brasil era… Buenos Aires!

Afinal, a Argentina, por uma série de razões históricas, teve um desenvolvimento sócio-cultural bastante avançado em relação ao Brasil, sendo que sua capital, essa sim, Buenos Aires, foi considerada a metrópole cultural do Hemisfério Sul.

Com o seu ar cosmopolita, impulsionado por uma renda “per capita” com distância olímpica em relação a do Brasil na época, além de uma fervilhante atividade cultural, esta cidade, que ainda hoje fascina muita gente, incorporava os modismos europeus. E, obviamente, os Cafés ao estilo francês com confortáveis poltronas, atendimento esmerado e uma generosa oferta de pratos rápidos e bebidas, ganharam sua devida importância na Capital Porteña.

Para boa parte dos brasileiros com mais de 35 anos, a primeira grande viagem ao exterior tinha como destino a Argentina e, certamente, o pedido “mais pedido” era para que se trouxesse o indefectível alfajor, de preferência o Havanna

Há pouco mais de 3 anos a Casa Havanna iniciou uma grande operação no Brasil com a instalação de quiosques para a venda do seu famosíssimo alfajor, cujo coberto com chocolate e o recheio de doce de leite é o meu favorito, além de sua cafeteria, o Café Havanna. Em São Paulo, à Rua Bela Cintra, Jardins, fica esta charmosa casa.

Para saber mais, você pode consultar o link www.havanna.com.ar .

O Companheiro de Viagem Luiz Barbosa, de São Paulo, a quem agradeço pela dica, comentou da abertura de uma casa do Café Martínez, que tem base em Buenos Aires.

Segundo Luiz, esta casa fica na Alameda Santos, quase esquina com a Rua Pamplona, praticamente atrás da famosa torre da FIESP.

Esta casa está completando 75 anos de operação, possuindo dezenas de lojas na capital porteña e arredores.

Como ponto de destaque, há em seu website, www.cafemartinez.com.ar, um link para um vídeo produzido pelo The History Channel, dentro da série A História dos Alimentos, que trata rapidamente da origem do café nos planaltos da Ethiopia e os caminhos que trilhou até chegar ao hoje chamado Coffee Belt entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio.

Produzido na Argentina, ao final o vídeo enfoca a ambientação de uma das lojas do Café Martínez.

O link para este interessante vídeo é http://www.cafemartinez.com.ar/videos/historia_del_cafe.wmv.

Assim que visitar esta casa farei comentários.

Abril 26th 2008

Café, Kapeh & Outros Produtos

Já se imaginou lavar o rosto com um sabonete a base de café? Ou adicionar um óleo a base de café numa banheira para uma revigorante imersão?

sabonete kapeh2O grão de café possui um número impressionante de substâncias que o compõem, muitas delas hoje com diversos estudos que comprovam efeitos benéficos para nossa saúde, como os ácidos clorogênicos, que são poderosos anti-oxidantes, que podem auxiliar no retardamento do processo de envelhecimento.

Porém, uma família de produtores de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, teve a idéia de aplicar algumas das substâncias do café em produtos de higiene e cosmética.

Nesta foto, por exemplo, são vistos os sabonetes que lembram a seqüência do processo de amadurecimento do café, com o “Café Verde”, “Café Maduro” e “Café Torrado”. Neste, por exemplo, existem fragmentos de café torrado e moído que funcionam como esfoliante.

Ou seja, uma idéia muito inovadora!

Outro ponto interessante é que são empregados cafés produzidos segundo normas da certificadora Utz Certified, garantindo-se, assim, toda a procedência e rastreabilidade da matéria-prima café nos produtos.

Juliano Kapeh1Nesta foto o Juliano Araujo, cuja família é proprietária da tradicional Fazenda Rancho Fundo, é o agrônomo responsável pela produção de café.

O nome kapeh tem origem maia e significa café.

E aqui há uma nota curiosa: a fazenda da família do Juliano já era certificada pela Utz Kapeh (= bom café, em maia), como anteriormente era conhecida essa certificadora que tem base em Amsterdam, Holanda, e que é uma das mais difundidas certificações de processo de produção de café no Brasil. Você pode saber sobre a Utz através do link na coluna ao lado.

Juliano e sua mulher, Vanessa, que é a responsável pela linha Kapeh, tinham muito interesse em utilizar esse nome, pois é muito fácil sua pronúncia nas diversas línguas, quando souberam que a Utz estava alterando seu nome, pois passou a ter atividade mais abrangente, além da cerficação das fazendas de café. Bingo!

Você pode saber mais sobre isso pelo endereço www.kapeh.com.br .

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