Outubro 27th 2008

Green Coffee Made in Okinawa, Japan

Tradicionalmente o café é uma cultura típica de países tropicais, na ampla faixa localizado entre os Trópicos de Capricórnio e de Câncer.

No caso das origens mais próximas à linha do Equador, em geral as lavouras situam-se em grandes altitudes, algumas até próximas de incríveis 1.800 m acima do nível do mar.

81021 Okinawa cafe4  512 x 384  1Durante esta viagem ao Japão, encontrei preciosidades que inicio com este post.

Em Okinawa, grupo de pequenas ilhas no extremo sul do arquipélago japonês, com uma cultura resultante de uma singular mescla de diversas influências, como a chinesa, por exemplo, encontrei o que foi uma das grandes surpresas: uma lavoura de café.

Sim, uma lavoura de café no Japão!

Cultivado sob estufa para evitar danos com os costumeiros tufões, a pequena plantação é obra de um “louco” por café chamado Yagi Seigi san (lê-se “gi” como “gui”), na região de Nanjo, Wakinaguri-shi, não muito distante da capital Naha. O prefixo “shi” equivale a “Prefeitura”, como são divididos os municípios no Japão.

Observe o porte das plantas nesta foto a seguir.

81021 Okinawa cafe3c 1 Mesmo sendo uma região Sub-Tropical, pois localiza-se a 26. Latitude Norte, sua distância em relação ao Trópico de Câncer é pequena. Para se ter idéia, posição equivalente no Hemisfério Sul seria a região de Itajaí, em Santa Catarina, cujo clima é muito parecido. Daí, a quantidade de luz durante todo o ano é muito bem distribuida. 

O fato de ter um leve sombreamento fez com que as folhas adquirissem aspecto típico, com dimensões maiores e um proeminente “costelamento” em relação às plantas cultivadas a pleno sol. Observe que as folhas novas têm uma coloração tendendo para o marron, que entre os pesquisadores é chamada de “ponta roxa”, lembrando linhagens da variedade Mundo Novo.

Pelo fato de estarmos no Hemisfério Norte, as estações são defasadas de 6 meses, ou seja, enquanto que no Brasil é o meio da primavera, em Okinawa, tomando-se por exemplo, é meados do outono. Assim, é o momento em que os frutos já estão em sua fase final de maturação.

81021 Okinawa cafe2a 1Observe, nesta foto, que os frutos já estão começando a entrar em sua fase de amadurecimento.

Com pouco mais de 200 plantas nesta estufa, Yagi san produz em média algo como 4 sacas de 60 kg por ano, que ele colhe com seus filhos e esposa, seca e depois vende para algumas lojas da região. 

Infelizmente, não pude adquirir nem um grãozinho da safra passada para provar e comentar sobre a bebida…

Porém, fica aqui o supreendente registro de uma lavoura de café no Japão!

Akisamiyo! (Esta expressão de espanto típica do dialeto de Okinawa significa “Oh!, Que coisa!”)

Outubro 7th 2008

More from Kopi Luwak

Sendo um dos posts mais visitado do blog, talvez pelo aspecto totalmente inusitado de sua produção, The Animal Coffee, como é conhecido e comercializado o café produzido pelo “gatinho” indonésio, dá muitas asas à criatividade para a postagem de comentários.

KopiLuwak pkgDentre os diversos comentários postados, escolhi este, do Companheiro de Viagem Arthur Diniz, pela finíssima análise sobre o produto e seus consumidores:

“No livro clássico ” A teoria da classe ociosa”, o genial economista Thorstein Veblen descreve o que chama de “Consumo Ostensivo” . Este café de cocô de gambá é um exemplo genial!!!!Além de ser caríssimo(o que satisfaz o esnobismo)é um castigo, melhor dizendo, uma gozeira aos deslumbrados - é cocô mesmo!kkkk! Adieu!! “

Porém, o ser humano é extremamente inclinado às experimentações; portanto, controvérsias à parte, o que vale para o que denomino de “Prática Sensorial” é ser agradável ou não. O restante segue muito os aspectos culturais da região de cada consumidor.

Agosto 1st 2008

Carinho e Criatividade: Cafeicultura dos Pequenos -1

Com a disseminação de conceitos que são levados pelas certificações, os produtores agrícolas, em geral, estão se familiarizando com as diversas normas de produção, que envolvem aspectos referentes às Boas Práticas Agrícolas (BAP).

Div IvanSantos CD  512 x 384 Estas chamadas Boas Práticas recomendam o criterioso emprego dos defensivos agrícolas, que são principalmente os herbicidas (”os que matam ervas”) e inseticidas (”os que matam as pragas = insetos”), além dos eventuais fungicidas (”os que exterminam os fungos = fontes de doenças”). Outros aspectos, como o uso de equipamentos para proteção no momento da aplicação desses produtos, bem como o equilibrado emprego dos adubos e dos cuidados durante a colheita, acabam influindo positivamente na obtenção de produtos agrícolas de melhor qualidade.

No caso do café, as principais certificações em voga como a Rainforest, que possui um rigoroso protocolo para os aspectos ambientais, a Utz Certified, que funciona semelhante a um modelo ISO de processos, além da Produção Orgânica e Fair Trade (= Comércio Justo) também são muito atentas aos procedimentos agronômicos, pedindo, por exemplo, a separação de produtos alimentícios, que no caso são os grãos de café, dos defensivos.

Observe que é o simples emprego do “Bom Senso”… não se mistura, por exemplo, sabão em barra com um pacote de açúcar numa mesma sacola!

IvanSantos Pai  384 x 512A micro-região onde está o município paulista de Divinolândia caracteriza-se pela sua cafeicultura de pequenos produtores, onde a média é da ordem de 5 hectares por produtor.

Para se ter idéia, chega a ser muito menor do que muitas das áreas médias de glebas (frações identificadas de lavouras) de grandes produtores. Na região do Cerrado Mineiro, por exemplo, as glebas ou talhões em média têm de 15 a 20 hectares!

Localizada na mesma escarpa onde está a mineira Poços de Caldas, as altitudes de produção de café em Divinolândia são possivelmente as mais elevadas do Brasil, pois sua média situa-se em torno de 1.200 m acima do nível do mar, 100 metros a mais, por exemplo, que as lavouras da Serra da Mantiqueira, MG. Assim, um clima privilegiado com efeitos amplificados pela altitude propicia cafés excepcionais.

Mesmo tendo em sua quase totalidade pequenos produtores, os cafeicultores de Divinolândia procuram atender os requisitos das principais certificações.

IvanSantos Deposito  384 x 512É o caso do Ivan Santos, cuja lavoura de café está a quase inacreditáveis 1.400 metros de altitude.

Com um capricho imenso, Ivan pessoalmente conduz a colheita, junto com o seu pai, e cuidadosamente faz o descascamento dos cerejas, que seguem para a seca nos terreiros concretados. A primeira foto mostra os grãos ainda envoltos por uma fina casca denominada “pergaminho”, que é constituída basicamente por celulose.

Para melhor preservar o seu café seco, Ivan forrou literalmente o pequeno cômodo de madeira que funciona como armazém com embalagem de leite longa vida. Incrível, não?

Ou seja, o Ivan conseguiu um excelente resultado usando sabiamente sua criatividade…

Aliás, por falar em criatividade, observe esta foto abaixo. É uma pequena vila ou “Corrutela” (como dizem os locasi) próximo ao Ivan. Para que a seca dos grãos, algumas famílias usam a própria rua como terreiro literalmente asfaltado!

Eu diria que, neste caso, já se trata de um abuso de criatividade…

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Março 9th 2008

Paisagens das Origens Brasileiras 2

Nesta série, duas origens merecem destaque devido à exoticidade.

Comecemos por uma micro-região do Cerrado Mineiro denominada Chapadão de Ferro, em Patrocínio, MG. Observe esta imagem elaborada pelo CNPM-EMBRAPA:

Chapad  o.DetalheHá um círculo cujo contorno está muito bem definido, compondo as escarpas laterais do que pode ser uma grande depressão ou um vulcão extinto.

Dos diversos polígonos que compõem um caleidoscópico mosaico dentro desse círculo, aqueles que possuem coloração verde escura são as lavouras de café, enquanto que os que apresentam coloração avermelhada são lavouras cujos solos estão preparados para plantio e, portanto, estão nus.

Na parte superior central desse  círculo há uma formação cuja coloração é escura e que é como os satélites “exergam” o lago.

chapadao1  LargeDe qualquer forma, o lago apresenta um teor de metais muito elevado, tanto é que as bússolas ficam “desnorteadas” literalmente nessa região.

Alguns cientistas ponderam que esse lago surgiu depois que as atividades vulcânicas cessaram e a água, digamos, “preencheu” o vazio.

Outros pesquisadores alegam que o que supostamente é um vulcão, na realidade pode ter sido gerado pelo choque de um meteoro!

Talvez seja esta uma das explicações plausíveis para a grande quantidade de metais existentes no solo desta área. Um banho nessa lagoa provoca grande coceira na pele, certamente fruto da alta concetração de metais e podem causar uma sensação de coceira, que nada mais é do que o efeito de osmose.

Veja nesta foto tirada dessa parte “interna” do círculo. Os cafés produzidos nesta área se destacam pelo sabor diferenciado, provavelmente resultado da rica combinação dos metais existentes em seu solo.

E agora,…

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Bela paisagem, não?

Esta área fica na divisa dos estados de  São Paulo e Minas Gerais, na mesma escarpa onde fica o município de Poços de Caldas.

Divinolândia possui lavouras acima de 1.400 m de altitude, em regime de cafeicultura de montanha, que pode ser enfatizada por esta bela visão…

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Março 6th 2008

Paisagens das Origens Brasileiras 1

Em geral, no imaginário das pessoas, ao se comentar de origens de cafés surgem imagens de exóticos e longínquos lugares como as selvas da África Oriental ou das matas tropicais do Sudeste Asiático.

No entanto, as origens brasileiras também dão um grande show de beleza. Montanhas distribuídas da Bahia até São Paulo próximo à divisa com o estado do Paraná, junto ao Trópico de Capricórnio, abrigam lavouras de café que encantam os torrefadores do mundo inteiro.

Acompanhe um pouco dessas paisagens…  

Veja que maravilhosa vista da Serra do Caparaó, Manhuaçu, MG!

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Deslumbrante paisagem em Sarutaiá, Sorocabana, SP, com cafezal no primeiro plano. 

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