Novembro 2nd 2008

Fuee nu Kama Café, Naha, Okinawa

A Província de Okinawa era anteriormente conhecida como Ryu Kyu e destaca-se das outras províncias japonesas pela sua impressionante fusão cultural. Em parte, devido ao seu clima Sub-Tropical, mas praticamente Tropical, revelado pela Latitude Norte 26. 30′, possui uma agricultura que lembra em grande parte a do Sul e Sudeste Brasileiro, com plantio de cana-de-açúcar (sim, fazem até rapadura!), diversos tipos de batata doce, frutas como goiaba e abacaxi, e, como postei anteriormente, até café!

81024 FueenuKama1  384 x 512 Naha, Capital da Província, possui diversos sítios históricos com castelos e diversas outras construções antigas.

Porém, devido à uma grande influência da cultura chinesa, presente nas fortes cores tanto nos tradicionais kimonos quanto na alimentação, também muito do dialeto okinawano possui uma sonoridade particular. Além disso, o artesanato tem uma expressão especial.

Duas são as principais expressões artísticas como “handcraft” em Okinawa: a arte em vidro e a cerâmica.

A técnica de vidraria lembra a praticada na ilha italiana de Murano.

Ciceroneado pela minha prima Erica, conheci uma rua onde ficam diversos estúdios de famosos ceramistas de Okinawa, os quais produzem fantásticas peças com colorido muito diferente. 

81024 FueenuKama3Esta rua, conhecida como Tsugoya Yachimun Doori (Doori = Rua; Yachimun = Yakimono [palavra no japonês oficial] = Cerâmica), concentra muitos estúdios de famosos artesões okinawanos, especializados em dar forma ao barro, que pode ser tanto ao natural, quando fica com a coloração avermelhada, típica do alto teor de ferro, quanto na técnica de alto forno, quando as peças ganham colorido especial.

Depois de caminhar por toda sua extensão, conhecendo cada atelier, aproveitamos para descansar um pouco no Fuee nu Kama Café, que significa “Vulcão do Sul”, e é um misto de cafeteria e atelier. Na primeira foto está a fachada, onde se destaca o dragão. O dragão é uma importante figura do folclore okinawano, uma vez que representa proteção. Na realidade, sempre estão em casal, sendo que o macho se apresenta com a boca aberta, enquanto que a fêmea está de boca fechada.

Sem exceção, todas as casas possuem seu casal de dragões na entrada.

Observe as belas peças expostas junto às janelas.

81024 FueenuKama4 Pedi um café Jamaica Blue Mountain, fornecido por uma grande indústria de torrefação japonesa, enquanto que a minha prima Erica pediu um Iced Coffee, pois a temperatura em Naha nesse dia era de impressionantes 32.C !

O Blue Mountain, graças a um forte trabalho de marketing promocional, é conhecido no Japão como o “Rei dos Cafés”, muito mais pela sua pequena disponibilidade, pois é cultivado numa única montanha na ilha da Jamaica. Possui grande acidez, apesar de estar blendado com outra origem, e leve sabor com toques herbáceos, além de ser muito encorpado. Aliás, esta é sua marca registrada.

Observe nesta foto a bela apresentação do serviço: os copos de vidro são típicos trabalhos dos artesões de Okinawa, enquanto que as xícaras revelam a fina arte da cerâmica desta ilha. As cores presentes, ressaltadas pela técnica de alto forno, são muito vistosas e com particulares toques de vermelho, pigmento de elevado grau de dificuldade para sua obtenção.

Ah, para finalizar: como adoçante, um sachê de rapadura japonesa!

Outubro 28th 2008

Okinawa: Café Blue Ocean

Você já imaginou beber café literalmente debaixo do mar?

P1060568Em Okinawa, grupo de pequenas ilhas que fica no extremo sul do arquipélago japonês, fica um dos mais completos e impressionantes aquários do mundo.

Deslumbrante!

Apenas isso…

Sua ilha maior, onde também fica a capital Naha, possui um litoral belíssimo, caracterizado pelas grandes formações de coral, que conferem um ton-sur-ton surpreendente. Por essas magníficas paisagens, Okinawa é considerada como o “Hawaii do Leste Asiático”. 

Aqui temos uma vista da entrada do Ocean Expo Park, um enorme conjunto científico e cultural com gigantescos aquários,  um parque botânico com um grande coleção de orquídeas e uma reconstituição de um antigo vilarejo.

81023 CafeBlueOcean1Estas instalações foram construídas para a Expo 75, uma grande exposição internacional de tecnologia, e ficam na área próxima a Nakijin, onde existem ruinas de um castelo da época do shogunato, e a bela ilha de Iejima.

O destaque, sem dúvida, é o imenso aquário, que está literalmente dentro do Mar da China e onde é possível ver o impressionante bailado de uma fauna marítma que deixa a todos extasiados: diversos tipos de arraias, incluindo-se uma gigantesca manta do tamanho de carro compacto, tubarões e outros peixes.

Mas, o toque genial foi a instalação de uma cafeteria chamada Café Blue Ocean. Disputadíssimos lugares junto à parede de vidro permitem uma viagem submarina degustando uma xícara de café.

O café é fornecido por uma grande torrefação japonesa, honesto, preços acima da média, obviamente, mas nada surpreendente. Porém, é apenas um belo pretexto para se ver a quase etérea dança dos peixes a partir de um ângulo muito privilegiado.

Para finalizar, veja em close o bailado das águas vivas…

81023 CafeBlueOcean2

 

Outubro 27th 2008

Green Coffee Made in Okinawa, Japan

Tradicionalmente o café é uma cultura típica de países tropicais, na ampla faixa localizado entre os Trópicos de Capricórnio e de Câncer.

No caso das origens mais próximas à linha do Equador, em geral as lavouras situam-se em grandes altitudes, algumas até próximas de incríveis 1.800 m acima do nível do mar.

81021 Okinawa cafe4  512 x 384  1Durante esta viagem ao Japão, encontrei preciosidades que inicio com este post.

Em Okinawa, grupo de pequenas ilhas no extremo sul do arquipélago japonês, com uma cultura resultante de uma singular mescla de diversas influências, como a chinesa, por exemplo, encontrei o que foi uma das grandes surpresas: uma lavoura de café.

Sim, uma lavoura de café no Japão!

Cultivado sob estufa para evitar danos com os costumeiros tufões, a pequena plantação é obra de um “louco” por café chamado Yagi Seigi san (lê-se “gi” como “gui”), na região de Nanjo, Wakinaguri-shi, não muito distante da capital Naha. O prefixo “shi” equivale a “Prefeitura”, como são divididos os municípios no Japão.

Observe o porte das plantas nesta foto a seguir.

81021 Okinawa cafe3c 1 Mesmo sendo uma região Sub-Tropical, pois localiza-se a 26. Latitude Norte, sua distância em relação ao Trópico de Câncer é pequena. Para se ter idéia, posição equivalente no Hemisfério Sul seria a região de Itajaí, em Santa Catarina, cujo clima é muito parecido. Daí, a quantidade de luz durante todo o ano é muito bem distribuida. 

O fato de ter um leve sombreamento fez com que as folhas adquirissem aspecto típico, com dimensões maiores e um proeminente “costelamento” em relação às plantas cultivadas a pleno sol. Observe que as folhas novas têm uma coloração tendendo para o marron, que entre os pesquisadores é chamada de “ponta roxa”, lembrando linhagens da variedade Mundo Novo.

Pelo fato de estarmos no Hemisfério Norte, as estações são defasadas de 6 meses, ou seja, enquanto que no Brasil é o meio da primavera, em Okinawa, tomando-se por exemplo, é meados do outono. Assim, é o momento em que os frutos já estão em sua fase final de maturação.

81021 Okinawa cafe2a 1Observe, nesta foto, que os frutos já estão começando a entrar em sua fase de amadurecimento.

Com pouco mais de 200 plantas nesta estufa, Yagi san produz em média algo como 4 sacas de 60 kg por ano, que ele colhe com seus filhos e esposa, seca e depois vende para algumas lojas da região. 

Infelizmente, não pude adquirir nem um grãozinho da safra passada para provar e comentar sobre a bebida…

Porém, fica aqui o supreendente registro de uma lavoura de café no Japão!

Akisamiyo! (Esta expressão de espanto típica do dialeto de Okinawa significa “Oh!, Que coisa!”)

Outubro 18th 2008

Café Kaian, Ginza, Tokyo

Ao andar pelas ruas de Ginza, Tokyo, encontrei esta cafeteria, de nome Café Kaian.

810 Kaian Ginza3Ambiente “clean”, com poltronas muito confortáveis em couro, fazendo composição com o tom creme das paredes e o aço inox que domina as áreas da cozinha e estação de serviço de café.

Numa área dominada por lojas de artigos esportivos, o Café Kaian, cujo nome provavelmente veio de um dos grandes escritores do Oriente Médio, se mostra uma ilha de conforto e qualidade dentre as cafeterias de rede.

Os cafés servidos são torrados na própria loja num torrador japonês Royal de 5 kg.

Na entrada da loja, há uma ante-sala onde funciona um balcão para a venda dos grãos torrados, bem como de diversos tipos de tortas e bolos. Todos com um visual de dar água na boca…

810 KaianGinza2O serviço é o de café de coador, que você pode melhor observar nesta foto, onde a simpática atendente prepara o nosso pedido.

Juntamente com os amigos Juba e Careca, pedimos um Kenya, do Leste Africano, e um da Guatemala, América Central, este provavelmente um Antigua pela suas características sensoriais.

O café do Kenya se destaca pelo fato de apresentar um grande diferencial em relação às outras origens: é o único café que reconhecidamente apresenta um elevado nível Ácido Fosfórico. Este ácido é o que compõe a Coca-Cola.

O ácido mais usualmente encontrado nos cafés das diversas origens internacionais é o Ácido Cítrico, que está presente no limão, laranja e abacaxi, por exemplo.

Além disso, em geral, um bom representante kenyano possui sempre um intenso aroma floral, e sua acidez, devido ao Ácido Fosfórico, muito intensa, perfeitamente perceptível ao provocar o mesmo efeito nos dentes como quando você bebe uma Coke.

O outro ponto que gostaria de destacar é: os cafés servidos estavam excelentes, tanto devido aos grãos, de alta qualidade, quanto ao serviço.

Isto é importante ter em mente, pois desde que o serviço seja bem executado, um excelente café sempre irá proporcionar uma grande experiência para quem bebe. Veja que não é apenas o espresso que é sinônimo de um Café Especial.

Café Especial é um lote de café de alta qualidade, além de se associar a um determinado tipo de serviço que deve ser primorosamente executado, depois de corretamente torrado.

O ritual que um café de coador tem é muito atraente e pela sua necessidade de maior tempo para a extração nos ajuda a nos “desacelerar” no nosso dia-a-dia.

Abril 21st 2008

Um Museu do Café…do Outro Lado do Mundo

Fica no Japão um dos mais completos e impressionantes museus sobre o café do mundo.

UCCMuseum KobeInstalado numa ilhota onde fica um grande complexo industrial em Kobe, o UCC Coffee Museum é uma visita obrigatória para todos os “loucos” por café que estiverem passando por aquela região.

Kobe é uma das principais cidades portuárias japonesas, tendo sido a que recebeu as primeiras visitas de naus portuguesas, que desde o final do Século XV já singravam os mares em busca das cobiçadas especiarias que somente o Oriente possuía. Desta série de visitas originou-se uma série de palavras e até um bolo com nomes que têm a sonoridade da língua portuguesa. “Castera” (pronunciando-se kas-te-ra sem acentuação), som que lembra castelo,  é o nome dado a um bolo que é parecidíssimo com o mais básico dos bolos brasileiros, o “Pão-de-Ló”, pois quando os portugueses ofereceram aos japoneses esta sobremesa, estes lembraram-se do formato dos tradicionais castelos japoneses.

A cidade de Kobe possui uma área histórica localizada em sua parte mais alta, enquanto que junto ao mar a cidade possui uma arquitetura arrojadamente futurística, como se tem nas grandes cidades japonesas. Parte dessa arquitetura, que ainda cheira a novo, deve-se à reconstrução que se seguiu ao mais violento terremoto que a região já sofreu, em 1995.

UCCMuseum entradaA UCC - Ueshima Coffee Co. é a maior indústria de café do Japão, líder nesse mercado. Além da sua linha de café, possui uma série de diferentes redes de cafeterias, tipicamente japonesas, e restaurantes de refeições rápidas.

No entanto, é justamente a paixão pelo café que move essa empresa, presidida pelo dinâmico Mr. Tatsushi Ueshima. A UCC possui uma divisão agrícola, que coordena os trabalhos em fazendas próprias na paradisíaca ilha de Kona, no arquipélago de Hawaii, e na mítica região do Blue Mountain, na Jamaica.

O museu fica ao lado da principal planta da UCC, como pode ser vista na primeira foto. Sim, por incrível que pareça, aquela torre de vidros azulados é a área industrial, que prima pela altíssima tecnologia desde a recepção do café cru, o processo de torra até o empacotamento. É uma planta simplesmente impressionante.

O museu procura oferecer uma visão sobre a cultura do café, sua história e desenvolvimento, além de diversos vídeos que mostram a forma de consumo em diversos países.

Abaixo, uma foto da área histórica, vendo-se em primeiro plano os diversos tipos de torradores:

UCCMuseum interno

Com uma excepcional infra-estrutura, o museu conta, além de uma curadora, local para pesquisas históricas e bibliográficas. Inclusive, todos que se dispuserem a conhecer o museu, ao preencherem uma ficha cadastral, são levados a caminhar pelas diferentes áreas temáticas, do plantio até as diferentes formas de consumo.

Como boa surpresa, ao final você recebe um cartão e um pequeno certificado de que você é, agora, um “Entendido em Café”!

Apesar de fora do tradicional circuito turístico que os ocidentais fazem no Japão, este é um local que os “loucos” por café não podem deixar de visitar.

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