O preparo de café em casa ou no escritório vem ganhando contornos diferentes em razão da entrada de novas máquinas e equipamentos, para alegria dos “loucos” por tecnologia e café.
Há muitos anos atrás o tradicional coador de pano era sinônimo de preparo de café. Com o tempo, chegaram os primeiros sistemas diferenciados como as máquinas de sachet para extrair um espresso, conceito conhecido como monodose. Foram estas as primeiras máquinas para, digamos, democratizar o ato de beber um espresso em ambientes que não cafeterias.
Uma das empresas que reinou como referência desse mercado foi a italiana illycaffè, com sua elegante latinha para 20 saches, mas que, caso não fosse rapidamente utilizada depois de aberta, os últimos espressos ficavam sofríveis devido à oxidação que ocorria porque não eram embalados individualmente.
No final dos anos 90, a gigante suiça Nestlè resolveu entrar no seleto mercado de cafés especiais. Sim, Nespresso foi o nome e produto escolhido.
A partir de um conceito revolucionário de extração sob alta pressão, maior do que as até então conhecidas 9 bars (= 9 atmosferas), inaugurou-se o patamar de 15 bars, tendo de quebra as cápsulas em metal.
Com um surpreendente sistema de identificação de blends pela cor da cápsula, junto com máquinas de elegantíssimo design, o seu cliente estava determinado: classe AAA e verdadeiros amantes do café. Mantendo um intenso namoro com a gastronomia e enologia, a Nespresso recentemente lançou o Codex, que é um impressionante trabalho de descrição e caracterização de seus produtos ou cápsulas, além de seu relacionamento com diferentes bebidas como a água e o vinho. Impressionante!
É claro que um produto dessa categoria não poderia descer do pedestal para não perder o glamuroso vínculo criado com seus consumidores.
Como alternativa, lançou-se a linha Dolce Gusto, pela sua divisão Nescafé. Como se sabe, Nescafé virou sinônimo de café solúvel no Brasil e em vários países, portanto, é uma marca forte. E café solúvel tem nos grãos de Coffea canephora (Robusta e Conillon) sua principal matéria prima.
No Brasil, em conjunto com a Arno, desenvolveu uma máquina muito simpática para uso exclusivo das cápsulas Dolce Gusto, como pode ser visto nestas fotos. Sua cápsula é bem maior do que a Nespresso, pois o pó do solúvel é expandido. E além do café, existem formulações para o cappuccino e outras bebidas.
No caso do espresso, que experimentei… é, não tem milagre. Uma extração de café com alta concentração de pó sob alta pressão (lamento pela eco…) pede sabores mais delicados, dada a potência da bebida resultante. Imagine então com apenas grãos primos do Arábica, ou seja, apenas Robusta. Fica minha dúvida se o consumidor continuaria comprando refis exclusivos Dolce Gusto, cujos preços não são nada baratos se comparados com as cápsulas Nespresso, até porque a distância entre a qualidade dos dois produtos é muito maior do que a existente entre seus preços.












Olá Ensei,
Primeiro, parabéns pelo blog. É uma fonte de pesquisa e referência para baristas e interessados como eu.
Costumo dizer que a Nespresso é a marca que eu gostaria de ter inventado, mas não é o café que eu gostaria de beber.rs
O comercial de tv da que a maquina aparece girando foi feito por mim, em uma produtora. Realmente, a máquina é uma grandissíssima mão na roda, mas o produto final é mediano na minha opinião.
Um abraço,
Ensei, tive oportunidade de provar um café Dolce Gusto na loja da Arno. A cápsula de espresso contém grãos moídos e não café solúvel. A máquina não é exclusiva do Brasil e é vendida também pela Krups na Europa. Antes de conhecê-la, achava que o café seria tão ruim que a impressão final não foi tão negativa assim. Com certeza, leva uma boa quantidade de robusta no blend, pois faz uma crema muito pesada.
Prezado Eduardo,
Você tem toda razão ao afirmar que o pó contido na cápsula do Dolce Gusto é de grãos moídos e não de solúvel. Faço o “Mea Culpa” por esse deslize.
No caso da máquina, talvez não tenha feito a colocação correta, mas o sentido era o de que no Brasil a fabricante é a Arno, pois a máquina possui um projeto globalizado.
Sobre o resultado na xícara, bem… na realidade há uma continuação sobre minha experiência no próximo post.
De qualquer forma, fico muito grato por ser um Companheiro de Viagem constante e, principalmente, observador. Isso enriquece este espaço, ao mesmo tempo que nos faz aprimorar continuamente. Oxalá mais “Eduardos” façam parte das nossas Viagens pelo sempre inspirador Mundo do Café!
Grande abraço
Ensei Neto
Oi, Marco,
Grato por fazer parte do grupo de Companheiros de Viagem!
Marketing promocional bem feito, como a Nestlè domina como poucas empresas, ajuda muito na apresentação de um produto, porém, ao final, sempre predomina a percepção da nossa “experiência sensorial”, que, se complementada com o conhecimento, permite fazer escolhas sensatamente racionais.
Grande abraço!
Ensei Neto