Bruno Ferreira, que recentemente sagrou-se campeão da etapa São Paulo do Campeonato Brasileira de Barista, profissional dedicado do Café Suplicy, é um dos mais talentosos na arte do latté.
Nesta foto impagável tirada no Restaurante Liguria, em Santiago, ele faz dupla com a Cleia Junqueira, ambos do Brasil Barista Team.
O café lattè é uma das bebidas preparadas com espresso que cativa os jovens pelo sabor, combinando a textura do leite e seus delicados componentes de sabor com a força do café. Levando-se em consideração de que o espresso usado é fruto de uma bela combinação de origem selecionada, torra cuidadosa e extração técnica, o elemento de maior importância passa a ser o leite.
E aí tem uma série de coisas importantes: a quantidade de gordura do leite, o seu teor de açúcar e o seu frescor. Ah, é claro que o tipo de gado acaba tendo grande influência nisso tudo.
Vou comentar uma curiosidade. Sou um bebedor inveterado de leite e às vezes ficava refém de marcas industrializadas tradicionais e de, digamos, muita “tecnologia”. No período em que morei na região de Paracatu, MG, era fã do leite e derivados comercializados pela cooperativa local. E sempre me perguntava: puxa vida, como é que eles conseguem um leite tão cremoso e doce?
Anos depois tive a resposta com pesquisadores da EMATER – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais que desenvolviam trabalhos com o queijo produzido na famosa região da Serra da Canastra, cujo gado tem certa semelhança, bem como as condições de pasto. Um dos motivos que fazem a fama do Queijo Canastra é a sua cremosidade interna enquanto a casca se torna “curada” (= ressecamento natural da parte externa), obtido pelo parco leite produzido por gado muitas vezes SRD (= Sem Raça Definida, como dizem os veterinários…). Como o animal produz pouco, isso em relação às raças de alta produtividade, o leite é mais concentrado. Ou seja, tem mais gordura!
Tendo uma boa matériaprima, no caso o leite, são necessários ainda uma boa máquina (em resumo, uma boa caldeira) e treino, muuuito treino.
Uma máquina com uma boa caldeira fará a vaporização do leite de forma adequada, sem perder pressão e, consequentemente, a temperatura do vapor. Isto é imprescindível para que a quebra das partículas de gordura ocorra dentro de um tempo razoável, garantindo excelente consistência do “colchão” formado pelo leite vaporizado.
Veja neste pequeno vídeo, como o Bruno Ferreira faz este processo:












Ensei, nos cursos de barista que fiz os instrutores diziam que o que faz com que o leite fique cremoso na vaporização é a proteína e não a gordura. Não sei se a minha informação procede.
Parabéns pelo blog!
Abraço.
Oi, Marcelo.
Sua informação procede, sim. A proteína em maior presença é a caseína, que possui o que chamamos de efeito surfactante, ou seja, modifica a tensão superficial do sistema em que está devido à sua estrutura molecular. Esta proteína é relativamente estável, o que significa que não se altera significativamente sob a ação da água proveniente da caldeira.
No entanto, a cremosidade obtida após a vaporização tem na gordura um forte componente, que sofre um processo de quebra de suas partículas em diversas outras menores, que aumenta muito a área de contato com a água, o ar e a própria caseína.
É como no ditado “A união faz a força.” No caso, faz o creme…
Grande abraço